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Contabilista garantiu que Salgado atualizava contabilidade falsa do GES todos os meses

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Numa reunião à porta fechada no Parlamento, Machado da Cruz revelou detalhes que comprometem Ricardo Salgado.

O contabilista do Grupo Espírito Santo, Machado da Cruz, terá revelado numa audição à porta fechada no Parlamento, ao abrigo do segredo de justiça, que o ex-presidente executivo do BES, Ricardo Salgado, atualizava todos os meses a "contabilidade paralela" da holding Espírito Santo Internacional. A notícia foi avançada esta noite pelo Observador. 

O Expresso já havia noticiado que segundo Machado da Cruz havia duas contabilidades, a verdadeira e a falsa, e que Salgado sabia de tudo, ao contrário do que o próprio referiu na comissão parlamentar de inquérito (CPI) ao caso BES/GES. O Observador noticia agora que o contabilista revelou aos deputados que "havia um documento de contabilidade paralela com os dados da real situação financeira da Espírito Santo International atualizado todos os meses".

O Observador, que cita "fontes conhecedoras do processo", adianta ainda que  "as contas oficiais, que escondiam o buraco na ESI de 1,3 milhões de euros, foram criadas pelo próprio Ricardo Salgado, que depois lhe deu uma ordem direta para não o assumir - e tratar como um mero erro - perante um órgão de auditoria interno".

Na reunião desta quinta-feira com os deputados, ficou a saber-se que a ocultação da dívida teve início em 2008. Só nesse ano foram omitidos 180 milhões de euros. Machado da Cruz terá dito aos deputados, segundo o Observador, que o pedido de ocultação partiu de Ricardo Salgado "feita a pedido do próprio Salgado e no escritório do líder do GES, com uma folha de Excel aberta" e "outro elemento do banco presente, a cumprir a ordem direta de Salgado".

Machado da Cruz apontou o método utilizado para esconder o passivo. "As obrigações de longo prazo foram recalculadas, tendo em conta o que valiam no fim desse ano (ou seja, como se naquele momento tivessem valor de encaixe nas contas da ESI). O procedimento foi depois repetido diversas vezes, até 2012 - aumentando o buraco real nas contas, até atingir os 1,3 mil milhões em 2013", refere o Observador.  

A folha de Excel não chegou ao deputados, frisa o Observador. Machado da Cruz alegou que estava no seu computador na Suíça.