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Constâncio: "Era impossível saber custo da nacionalização do BPN"

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Antigo governador do Banco de Portugal reitera na comissão de inquérito parlamentar que a nacionalização do BPN era a única saída possível para assegurar a estabilidade do sistema bancário português.

O ex-Governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, explicou hoje que quando foi tomada a decisão de nacionalização do BPN, em 2008, era impossível calcular o seu custo para os cofres públicos, considerando que isso acontece em qualquer nacionalização. "Na altura não era possível fazer qualquer cálculo sobre quanto é que a nacionalização iria custar no fim", afirmou o atual vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE), acrescentando que "em nenhuma nacionalização isso é possível". Vítor Constâncio defendeu ainda a decisão da nacionalização do Banco Português de Negócios (BPN), salientando que era a única possível para assegurar a estabilidade do sistema bancário português. "Esperámos até final de outubro para que surgisse um parceiro capaz. Houve contactos com bancos portugueses para que entrassem no banco evitando o risco de contágio. Apareceu a hipótese da CGD comprar o BPN, mas as negociações foram rejeitadas pela administração do BPN", revelou.

Plano de Cadilhe era "irrealizável"

"Não havia parceiro estratégico, as negociações para a CGD comprar falharam, os acionistas adiaram o aumento de capital, e continuava a hemorragia dos depósitos, num momento complicadíssimo para a banca. Não havia outra solução senão a nacionalização", reforçou. Sobre a proposta apresentada pela administração de Miguel Cadilhe para recuperar o banco, Constâncio afirmou: "Não teria nenhum problema em deixar Cadilhe à frente do banco, tinha uma equipa de gestão integra e competente. Mas o plano que tinham para salvar o banco era irrealizável". Constâncio explicou que as premissas que constavam do 'plano Cadilhe' eram demasiado otimistas face ao ambiente altamente negativo que envolvia o sector bancário, após a falência do banco de investimento norte-americano Lehman Brothers, no auge da crise financeira.