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Confederação de Turismo "disponível" para travar greve de quatro dias na TAP

Tiago Miranda

Este pré-anúncio de greve é uma situação de 'loose, loose, loose'", diz o Francisco Calheiros, presidente da Confederação de Turismo de Portugal, que tenciona falar com a administração da TAP . Quanto mais depressar for desconvocada "melhor é para todos", sublinha.

Lusa

O presidente da Confederação de Turismo de Portugal (CTP), Francisco Calheiros, afirmou hoje ter uma "esperança muito grande" que a greve de quatro dias na TAP seja desconvocada, considerando que seria uma "péssima notícia".

"Este pré-anúncio de greve é uma situação de 'loose, loose, loose' [perder, perder perder]. Perde claramente o turismo nacional - as agências, os operadores, os hotéis -, porque uma greve de quatro dias neste período é impossível de poder colmatar", defendeu Francisco Calheiros, à margem das Jornadas de Empreendedorismo, em Lisboa.

Em declarações à Lusa, o presidente da CTP adiantou que também "perde naturalmente a TAP, todos os seus responsáveis e trabalhadores, e perdem muitos dos portugueses".

"Numa altura em que está anunciada a privatização da TAP, uma greve de quatro dias não é, com certeza, boa notícia para qualquer potencial comprador. Depois é a data em que as famílias se reúnem e com a emigração que temos tido nos últimos tempos, é uma altura em que todos se reencontram e com esta greve não vejo como é que isso vai acontecer", declarou.

Francisco Calheiros disse que ainda hoje ia falar com a administração da TAP para se inteirar das reivindicações dos 12 sindicatos, que na quarta-feira decidiram avançar com uma greve de quatro dias, entre 27 e 30 de dezembro.

"É evidente que tenho uma esperança muito grande que esta greve não vá para a frente", afirmou, manifestando-se "desde já disponível para o que seja necessário para que isso não aconteça".

O presidente da CTP defendeu que, "se é possível ser desconvocada, quanto mais depressa melhor é para todos".

"Estamos todos convocados para que esta greve não vá para a frente, porque terá efeitos péssimos", acrescentou.

Num comunicado conjunto, a plataforma que reúne os 12 sindicatos da TAP referiu que a greve tem como objetivo "sensibilizar o Governo para a necessidade de travar o processo de privatização".

"As garantias invocadas pelo Governo, até este momento, não são credíveis, nem eficazes. O interesse nacional não é salvaguardado. Não há urgência em privatizar, tal como o ministro da Economia transmitiu no passado dia 5 de dezembro, na Assembleia da República", adianta o comunicado da Plataforma Sindical da TAP, divulgado na quarta-feira após uma Assembleia-Geral do Sindicato dos Pilotos de Aviação Civil.

Já hoje, o ministro da Economia, António Pires de Lima, afirmou à lusa que está agendada para sexta-feira uma reunião no ministério com os sindicatos da TAP, rejeitando fazer um comentário sobre a convocação da greve para a quadra do Natal.

Pires de Lima, que se encontra em Boston, nos Estados Unidos, disse que "há uma reunião marcada desses sindicatos no Ministério da Economia com o secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro, e onde ele próprio procurará estar para ouvir os sindicatos, perceber as motivações desta greve que foi anunciada".