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Como evoluirá a indústria da construção em 2015? O segredo está nos fundos

A indústria aguarda pelo plano de investimento 2015-20 e acredita  no novo impulso dos fundos europeus. 

Como evoluirá a indústria da construção em 2015? Ricardo Pedrosa Gomes, presidente da Federação Portuguesa da Indústria Empresas da Construção, Obras Públicas (FEPICOP), acredita que os segmentos da "reabilitação urbana, imobiliário turístico, investimentos em infraestruturas, atividades logísticas e turismo residencial e de saúde" são sectores que podem ajudar "à dinamização do sector" e com capacidade para "atrair investimento estrangeiro".

Mas, acima de tudo, o país precisa "de um Plano Estratégico de Investimento 2015-20, que lhe permita beneficiar das políticas europeias e utilizar os fundos comunitários como alavanca para captar investimento privado".

 

A fé no FEIE

A construção "pode desempenhar um papel central na dinamização da economia portuguesa e do emprego", como resultado dos investimentos "na energia, nos transportes, na reabilitação urbana, na valorização das competências nacionais na área da engenharia e da arquitetura e dos sucessos da internacionalização das empresas portuguesas", diz o presidente da AECOPS. 

Para além dos fundos tradicionais do "Portugal 2020", o país precisa de se reposicionar para utilizar com inteligência o novo Fundo Europeu para Investimentos Estratégicos (FEIE), que pretende para mobilizar, no mínimo, 315 mil milhões de euros de investimento adicional.

Um fundo europeu com uma nova lógica e regras, que privilegia a utilização dos fundos públicos para alavancar o investimento privado, os empréstimos, as participações de capital e as garantias, em detrimento dos subsídios a fundo perdido".

O futuro da construção "depende da capacidade do país para capitalizar as oportunidades de investimento" que os fundos europeus abrem.

 

Produção no exterior de 5,3 mil milhões

Desde 2010, a construção perdeu 42% (6 mil milhões de euros) de uma produção global de 17,2 mil milhões de euros. A punição afetou mais o segmento residencial (caiu de 9,3 mil milhões para 5,7 mil milhões de euros) e as obras de engenharia (7,9 mil milhões contra 5,8 mil milhões de euros).

Para inverter a situação, a palavra mágica é investimento. Relançar o investimento é indispensável "para haver crescimento, aumento das exportações ou criação de emprego". Neste ambiente adverso que dificulta "a recomposição do tecido produtivo a reorientação de atividades", Ricardo Pedrosa Gomes enfatiza "o duplo sucesso" da indústria da construção.

Por um lado, "a resiliência do sector, a sua capacidade se adaptar às novas condições da procura e do mercado, reforçando a especialização e flexibilidade". Por outro, "a consolidação do processo de internacionalização do sector": o volume de negócios no exterior triplicou em sete anos, atingindo os 5,3 mil milhões de euros.

 

Atrair capitais estrangeiros

Ricardo Pedrosa Gomes nota que "se assiste a um novo ciclo de expansão do imobiliário à escala global e que estes movimentos de capitais internacionais" poderá beneficiar os segmentos de reabilitação e do imobiliário turístico.

O capital estrangeiro pode ainda  ser seduzido para financiar "projetos âncora no quadro das redes transeuropeias", aproveitando os fundos comunitários. Na frente logística, Portugal "beneficia do reforço da centralidade atlântica e de um novo contexto geoeconómico marcado pela crise na Ucrânia, Médio Oriente e pela nova Parceria Transatlântica entre a Europa e os EUA".