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Como a Efacec está a conquistar os Estados Unidos

Antes de arrancar, a fábricade transformadores da Efacec nos EUA já tinha encomendas em carteira de algumas das principais companhias eléctricas norte-americanas.

Margarida Cardoso (www.expresso.pt)

Quando o governador da Geórgia ouviu falar do interesse de um grupo português em investir no seu Estado, contactou directamente o responsável do projecto e disponibilizou um avião para facilitar a visita da equipa portuguesa a Effingham, uma pequena cidade vizinha do porto norte-americano de Savana.

No lançamento da primeira pedra da nova fábrica nos Estados Unidos, em Novembro de 2007, o presidente da Efacec confessou "ter sido surpreendido" pelo dinamismo das autoridades locais na atracção de um projecto de investimento estrangeiro de160 milhões de euros para construir uma fábrica de transformadores de potência que vai criar 600 postos de trabalho até 2015.

Dois anos depois, a fábrica estava a laborar com 130 trabalhadores e, segunda-feira, na inauguração oficial da primeira fase deste projecto, orçada 80 milhões de euros, a Efacec estará já a pensar em alargar a sua presença no país a novos negócios.

Mas como é que a Efacec conquistou o exigente mercado norte-americano?

A decisão

A empresa detectou nos Estados Unidos uma janela de oportunidade por saber que este mercado vai ter uma grande procura nos próximos 10 anos devido à necessidade do país substituir transformadores instalados nas décadas de 60 e 70, agora no fim da sua vida útil.

Com vários anos de experiência no país, onde ajuda já a iluminar 13 estados, a Efacec percebeu, também, que um investimento de raiz tornaria a sua oferta mais competitiva, permitindo reduzir os custos de transporte que pesam, actualmente, 17% dos custos para o cliente. A desvalorização do dólar face ao euro também pesou nesta decisão.

A justificar o investimento, a empresa refere, ainda, que nos últimos dois anos teve de rejeitar mais de 20 milhões de euros de encomendas por falta de capacidade de produção e que a sua fábrica de transformadores da Arroteia (Matosinhos) "está altamente sobrecarregada".

A escolha de Savana

Depois de vários meses de negociação com os Estados da Carolina do Sul e da Geórgia, a empresa optou pela segunda hipótese atraída por um pacote de contrapartidas abrangente, desde a oferta do terreno de 70 hectares, com ramal ferroviário, à isenção de taxas portuárias e concessão de benefícios fiscais.

Pesou, ainda, a proximidade de um porto no topo dos rankings de eficiência dos EUA, as boas ligações ferroviárias existentes, a facilidade de ligação à Europa e América Latina, a existência de um tecido empresarial e humano bem cotado, de uma universidade de referência na área tecnológica e de outras empresas industriais de topo na região. O clima suave e ameno deste estado norte-americano também foi considerado.

A integração

A preocupação era "garantir os requisitos de qualidade e o tempo recorde de implementação do projecto e fazer com que todos os colaboradores se sentissem verdadeiremente comprometidos com o projecto", explica Luís Filipe Pereira.

Assim, a Efacec enviou "quadros de primeira linha" para o país e contratou colaboradores locais. Houve formação no local com os profissionais portugueses que têm sido responsáveis pela investigação, desenvolvimento, projecto, cálculo, produção e garantia de qualidade dos transformadores da Efacec.

Mas, um grupo de 50 engenheiros norte-americanos veio, depois, receber formação a Portugal.