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Como a Efacec dá luz ao Natal de Buenos Aires

A primeira subestação móvel da Efacec partiu há uma semana do aeroporto Sá Carneiro. A segunda foi enviada esta terça-feira (na imagem) e a terceira ruma a Buenos Aires no dia 15

Rui Duarte Silva

O prazo de entrega era curto, mas a empresa conseguiu fazer três subestações em seis meses para enviar a bordo de aviões Antonov, a tempo de evitar um apagão no Natal da Argentina. E já ganhou mais três subestações à concorrência chinesa.

O desafio foi lançado em maio, em tom de urgência. A Edesur, companhia elétrica responsável pela comercialização e distribuição de energia a Buenos Aires, queria comprar três subestações móveis, mas precisava de as receber no prazo de seis meses, para poder dar resposta ao pico de consumo de eletricidade habitual na época de Natal.

Apesar de os prazos de entrega típicos neste tipo de equipamentos rondarem os 12 meses, a Efacec aceitou o repto, ganhou o concurso público internacional, num valor superior a cinco milhões de euros, e está a cumprir o acordo.

A primeira subestação partiu há uma semana do aeroporto Sá Carneiro. A segunda foi enviada esta terça-feira e a terceira ruma a Buenos Aires no dia 15.

 

Um voo, três escalas

De forma a garantir o cumprimento do prazo, e a pedido do cliente, as subestações estão a ser transportadas por via aérea, em aviões Antonov 124, o que garante a sua chegada ao destino em 24 horas, um tempo recorde quando comparado com o mês e meio necessário a uma viagem de barco.

Os preços das duas opções também são diferentes. Enquanto o custo do transporte de barco ronda os 10% do valor da encomenda, a viagem de avião, com escalas em Dakar e Recife, tem um custo equivalente a 50% do valor da encomenda, mas é assumido pelo cliente.

Para João Bento, presidente da empresa portuguesa, mais do que um "desafio ganho", "a provar a competência" da Efacec como fabricante de subestações móveis, este negócio com a Argentina representa uma dupla vitória da tecnologia lusa, uma vez que acabou por traduzir-se numa segunda encomenda, de mais três subestações, ganha diretamente à concorrência chinesa.

 

Novas encomendas a caminho

"Ganhámos um concurso pela qualidade técnica e preço da nossa proposta e ganhámos mais três subestações por falha da concorrência, que venceu um concurso mas não conseguiu dar resposta aos prazos exigidos", refere o gestor, admitindo que o futuro próximo poderá trazer mais encomendas da Argentina nesta área.

Com três módulos, 50 metros de comprimento e um peso de 80 toneladas, a que é preciso somar mais 10 toneladas dos semirreboques, cada subestação enche quase completamente o Antonov 124, um dos maiores aviões de carga existentes.

 

À espera de um novo acionista

Com uma dívida de 370 milhões de euros e prejuízos de 90,5 milhões, a Efacec está a concluir um processo de reestruturação para focalizar o negócio, reduzir o endividamento e obter ganhos de eficiência que já a levou a vender empresa e fábricas no Brasil e EUA.

Na Argentina, mantém uma unidade industrial que neste momento está a fazer, essencialmente, assemblagem de aparelhos de média tensão. Controlada em partes iguais pelos grupos Mello e Têxtil Manuel Gonçalves, a empresa prepara, também, a entrada de um novo acionista que lhe permita ganhar músculo financeiro.

Entre os potenciais investidores têm sido referidos os chineses da State Grid, acionista de referência da Rede Elétrica Nacional, a investidora angolana Isabel dos Santos e o fundo de private equity norte-americano First Reserve.

Questionado sobre o processo de abertura do capital a um novo acionista, João Bento limitou-se a admitir "negociações com interessados em coinvestir na Efacec".