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Comissão do BES faz "acareação" entre Banco de Portugal e CMVM

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Carlos Costa e Carlos Tavares regressam à comissão parlamentar de inquérito no dia 24. Ricardo Salgado volta a ser ouvido a 19 e Maria Luís Albuquerque no dia 25. E acabam as audições.

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Jornalista da secção Política

Tal como previsto, a comissão parlamentar de inquérito (CPI) ao BES acaba como começou: ouvindo os principais protagonistas da derrocada do banco e do grupo Espírito Santo. Ricardo Salgado será o primeiro a repetir a dose: volta à Sala 6 das comissões parlamentares já na quinta-feira da semana que vem, dia 19.

Outro dia forte do ciclo de reprises será 24 de março: para essa terça-feira está prevista uma espécie de "acareação" entre os dois principais supervisores envolvidos neste caso, o governador do Banco de Portugal e o presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

Recorde-se que têm sido notórias as divergências entre Carlos Costa e Carlos Tavares sobre a decisão, a forma e o timing de intervenção no BES - nomeadamente por as ações do banco terem continuado a ser negociadas quando já havia rumores sobre a resolução do banco, tendo caído a pique durante os últimos dois dias de negociação. E, ainda mais evidente, tem sido a guerra entre os dois reguladores por causa da responsabilidade do Novo Banco em relação ao papel comercial da Rioforte, que foi colocado através dos balcões do BES.

Não havendo a possibilidade de um verdadeiro frente a frente entre Costa e Tavares, a CPI optou pelo modelo mais parecido: agendar as duas audições para o mesmo dia, à semelhança do que aconteceu no dia em que Ricardo Salgado e José Maria Ricciardi foram ouvidos em sequência.

A ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, será a última a ser ouvida, a 25, prevendo-se que as audições da CPI terminem por aí. Na reunião desta quinta-feira dos coordenadores dos vários partidos, ficou, porém, em aberto a possibilidade de, se se justificar, poderem ser chamadas mais testemunhas antes da comissão entrar na fase de elaboração do relatório final.

No encontro desta tarde, ainda foi discutida a possibilidade de ser chamado, para segunda audição, José Maria Ricciardi - mas essa hipótese acabou por ser descartada, por os deputados terem entendido que o CEO do BESI não iria acrescentar nada ao que já disse. Houve o mesmo entendimento em relação a Manuel Fernando Espírito Santo, antigo CEO da Rioforte.