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Combustíveis sem aditivos sem impacto no preço

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A Autoridade da Concorrência não prevê grandes descidas de preços porque o potencial de redução é limitado

PHILIPPE HUGUEN/AFP/Getty Images

Autoridade da Concorrência não prevê grandes descidas nos preços. Associação Nacional dos Revendedores de Combustíveis espera que haja desvio dos hipermercados para os postos.

Todos os postos de abastecimento passam esta sexta-feira a vender combustíveis simples, gasóleo e gasolina sem aditivos, cumprindo a lei nº. 6/2015, aprovada por unanimidade no Parlamento e contestada pelas petrolíferas.

A Autoridade da Concorrência não prevê grandes descidas de preços porque o potencial de redução é limitado. É que a lei "não terá um efeito direto nos custos de exploração dos postos convencionais", sustenta António Ferreira Gomes, presidente da Autoridade da Concorrência, citado pelo 'Público'.

Para a Associação Nacional dos Revendedores de Combustíveis, esta medida pode desviar o consumo de gasolina e gasóleo dos hipermercados para os postos, que têm vindo a conquistar mercado: no ano passado tinham uma quota de 22% contra os 18% registadados em 2008.

A Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição (APED), que representa os hipermercados, por seu lado, considera que esta medida não trará grandes mudanças. A entrada em vigor da lei "não virá alterar o modo de comercialização praticado até agora nos postos de combustíveis dos supermercados e hipermercados que, na sua maioria, sempre optaram por colocar ao dispor dos clientes produtos de qualidade comprovada a preços competitivos", refere Ana Isabel Trigo de Morais, secretária-geral da associação, citada pelo 'Público'.

As quatro petrolíferas seguiram uma estratégia diferente na aplicação da lei que obriga todos os postos de combustível do território continental a disponibilizar combustíveis simples a partir de hoje. A Galp vai substituir a gama de combustíveis 'premium' - aditivados e mais caros - pelos combustíveis simples. Já a BP, a Cepsa e a Repsol vão disponibilizar exclusivamente os seus produtos 'premium', garantindo assim os compromissos de qualidade com os seus clientes, complementando a oferta com os produtos simples, em cumprimento com a legislação em vigor.

Aquando da discussão da proposta legislativa, a Associação Portuguesa de Empresas Petrolíferas (Apetro) alertou para o facto da redução de preços não vir a ser a pretendida pelo Governo, dada a impossibilidade de as petrolíferas praticarem preços próximos dos postos das grandes superfícies, uma vez que são modelos de negócio diferentes, com níveis de serviço distintos.