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Clube da bancarrota: Irlanda desce de posição e Espanha sai do grupo

Os dois países estão a destacar-se dos outros três "periféricos" - Grécia, Portugal e Itália - pela positiva. A Irlanda desceu do 5º para o 6ª lugar e a Espanha saiu do TOP 10 dos países com maior probabilidade de entrarem em default    

Jorge Nascimento Rodrigues (www.expresso.pt)

O clube da bancarrota está com mexidas internas significativas. A Irlanda desceu do 5º para o 6º lugar e a Espanha saiu do grupo, segundo dados do monitor da CMA DataVision para o meio da tarde.

O grupo de 10 países com maiores níveis de risco de default num horizonte de 5 anos albergava até hoje ao final da tarde cinco membros da zona euro - Grécia, Portugal, Irlanda, Itália e Espanha. Agora passou a 4 membros.

Dois comportamentos distintos

A evolução tem sido assimétrica ultimamente. Grécia, Portugal e Itália mantêm tendências altistas, deteriorando a sua situação de crédito, e conservam as suas posições no TOP 10, enquanto a Irlanda e Espanha têm descido, observando-se uma melhoria na apreciação da sua situação de crédito.

A Irlanda passou da 4ª posição para a 5ª a 15 de setembro e hoje desceu mais um degrau. Fechou com um risco de 50,34%. As yields (juros implícitos, uma medida de rendibilidade) dos títulos irlandeses têm-se distanciado significativamente das relativas às obrigações do Tesouro português.

Hoje, no fecho, o fosso era claro: 9,13% para os juros dos títulos irlandeses a 2 anos e 17,69% para os das obrigações portuguesas; 8,74% para os juros dos títulos irlandeses a 10 anos e 11,83% para os das obrigações portuguesas com a mesma maturidade.

No caso de Espanha, a queda do risco de default do país tem sido consistente. Começou por ser ultrapassada pela Itália na segunda quinzena de Agosto e hoje saiu do TOP 10 com menos de 31% de risco.

Acabou por ser ultrapassada pela Croácia, que ficou em 10º lugar com 31,03%, e pela Hungria que subiu para a 9ª posição, com 31,47% de risco. A subida da Croácia faz parte de um movimento de alta do risco dos países da Europa de Leste e Balcãs - a Hungria esteve na 10ª posição até ocupar hoje o lugar da Espanha, e as probabilidades de incumprimento por parte da Roménia (28,31%) e Rússia (19,95%) também subiram hoje.

Os cenários de Atenas

A perceção da situação grega continua a deteriorar-se, apesar de um risco de default da dívida soberana só se voltar a colocar em dezembro. A probabilidade de incumprimento está no patamar dos 94%, abaixo dos níveis recordes de 12 de setembro (perto dos 98% e com mais de 7500 pontos base de custo dos credit default swaps - cds) que apontavam para um default iminente. Mas os designados "pontos à cabeça" (uma penalização nos contratos de cds que obriga a uma pagamento à cabeça) não têm parado de subir - de 58,78 pontos a 16 de setembro, quando começaram a ser referidos pela CMA DataVision, para 61,9 pontos, hoje.

O governo em Atenas já equaciona vários cenários. O ministro das Finanças grego, Evangelos Venizelos, segundo o jornal grego Ta Nea, teria apresentado aos parlamentares do PASOK três cenários possíveis sobre o futuro próximo da Grécia:

- um cenário benigno, em que o segundo pacote de resgate da troika avança e a re-estruturação da dívida dos credores privados se fica por um corte de cabelo de 20% no valor facial da dívida; recorde-se que, em julho, o lóbi dos credores privados tinha apontado para uma perda de 21% nos títulos com maturidades até 2020;

- um segundo cenário, o segundo "melhor", em que o segundo plano de resgate não vai avante e Atenas tem de fazer uma re-estruturação da dívida, ainda que de modo "ordeiro", com um corte de cabelo de 50% no valor facial;

- e, finalmente, um terceiro cenário, catastrófico, ao estilo argentino de dezembro de 2001, com um evento de crédito "desordenado" e de efeitos incontroláveis internos e externos.

Portugal não descola do 2º lugar

Refira-se, a finalizar, que Portugal não consegue "descolar" do 2º lugar no clube da bancarrota, logo a seguir à Grécia, ainda que a uma distância significativa.

Durante a semana, o risco de default para a dívida soberana portuguesa subiu de 60,21% para 64,10% e as yields das obrigações do Tesouro a 2 anos - maturidade onde se tem notado o maior stresse - passaram de 16,17% para 17,69%. Todas as maturidades viram os juros subir.