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Cimeira dos BRIC: "uma nova geografia mundial"

A expressão é do presidente brasileiro Lula da Silva realizando o balanço da 2ª Cimeira dos BRIC que se realizou em Brasília. Também um fórum do triângulo Brasil-África do Sul-Índia foi "colado" à cimeira das quatro potências emergentes

Jorge Nascimento Rodrigues (www.expresso.pt)

Apesar da sua diversidade, as quatro potências globais emergentes reuniram pela segunda vez, e parecem querer dizer ao mundo que a grande crise e a habilidade estratégica de Obama não paralisou o grupo.

Os três presidentes do Brasil, Rússia e China com o primeiro-ministro da Índia encontraram-se em Brasília nesta sexta-feira para realizar a 2ª Cimeira do que foi baptizado pela Goldman Sachs de BRIC - acrónimo para os quatro países. A 1ª cimeira havia-se realizado em Ecaterimburgo, na Rússia, em  16 de Junho de 2009. Como então escrevemos, o sinal que ela transmitiu para o mundo podia resumir-se numa frase: assistíamos ao princípio do fim do século americano.

As quatro potências aproveitaram, agora, para dar um outro sinal: que, no final das contas, são elas que saem desta Grande Recessão como "ganhadoras", como sublinha em entrevista ao Expresso o especialista em geopolítica e geoeconomia François Heisbourg, a ser publicada amanhã no caderno de Economia.

Do comunicado final de Brasília sai uma cartilha de objectivos geopolíticos muito clara e dura, que pode ser resumida em cinco pontos principais, cuja concretização terá de ser acompanhada ao longo do ano:

1.       Reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas, onde já têm assento a Rússia e a China. Revindicação de que o Brasil e a Índia devem ganhar assento permanente;

2.       Reforma do poder de voto do Banco Mundial nas próximas reuniões da Primavera;

3.       Reforma das quotas no Fundo Monetário Internacional (FMI) a ser concluída até à cimeira do G20 em Novembro;

4.       "No jobs for the (West) boys" nas posições  de direcção da Banco Mundial e do FMI;

5.       Estudo, sugerido pela Rússia, da viabilidade de desenvolvimento do comércio entre as quatro economias com bases nas divisas respectivas.

Lula da Silva, presidente brasileiro, e Dimitri Medvedev,presidente russo, insistiram na proposta de substituir o dólar americano como divisa de referência no comércio internacional e nos fluxos financeiros globais, mas tal insistência foi amaciada no comunicado final.

Os quatro procuraram, também, "colar" a África do Sul a este grupo, reforçando o papel geoestratégico daquele país. Desta vez, o motivo foi a realização também em Brasília da IVª cimeira do IBAS, um acrónimo mais, para Índia, Brasil e África do Sul, um eixo que é encarado como a matriz do "Sul" do planeta, assumindo que Rússia e China se situam geograficamente no "norte".

A "colagem" da África do Sul ao grupo já havia sido testada na famosa "mesa" ad hoc em que se sentaram Estados Unidos, Brasil, China, Índia e África do Sul aquando da cimeira mundial de Copenhaga, e que acabou por ficar como foto simbólica daquele evento internacional a 18 de Dezembro.