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Chineses também ganham nos bancos

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Proposta chinesa para aquisição do Novo Banco supera quatro mil milhões de euros. Santander oferece mais de €2,5 mil milhões. BPI ficou-se acima dos dois mil milhões. Valores estão ainda sujeitos a condições.

A proposta mais alta neste momento em cima da mesa para a compra do Novo Banco é de capitais chineses e supera os quatro mil milhões de euros, sabe o Expresso. Esta oferta é ainda não vinculativa e está sujeita a várias condições. Sendo o mais elevado dos cinco que estão em análise, este valor é inferior aos 4,9 mil milhões de euros injetados no Novo Banco em agosto.

As informações sobre as várias propostas para comprar o Novo Banco estão trancadas no Banco de Portugal, que por sua vez está a ser assessorado pelo BPN Paribas. As propostas não são no entanto diretamente comparáveis, porque compostas por diferentes componentes: por exemplo, há propostas que incluem aumentos de capital do Novo Banco; além disso, desde o início que o Banco de Portugal admitiu que a venda dos ativos imobiliários em separado do banco. Foi a diferença de critérios como estes que levaram o Expresso ontem a noticiar que o Santander tinha feito uma proposta de inferior a dois mil milhões de euros, valor que o banco espanhol depois negou. O Expresso noticiou uma informação errada, que recolhera junto de duas fontes de partes diferentes e que depois de confrontar fontes de alto nível do Santander com o valor, fontes que não o quiseram comentar: só depois de publicada a informação o fizeram.

Na verdade, a proposta do Santander está situada entre os 2,5 e os três mil milhões de euros, um valor que se localiza entre os 50 e os 60% dos 4,9 mil milhões de euros injetados em agosto passado. Também esta informação continua a não ser comentada pelo Santander, mas o Expresso está seguro dela depois de confirmação junto de fontes diversas.

O Santander é o único banco ainda candidato, depois de o BPI ter sido excluído da compita. A oferta do BPI terá sido superior a dois mil milhões de euros, valor que o Banco de Portugal considerou demasiado baixo. É no entanto a indefinição acionista do BPI que o afasta da corrida ao Novo Banco.

Dos 15 potenciais interessados iniciais apresentaram propostas não vinculativas sete, dos quais dois foram excluídos. Sobram cinco propostas, que, segundo o Jornal de Negócios, são do Santander, dos chineses da Fosun e Anbang, e dos americanos da Apollo e Cerberus. Destes, apenas o Santander é um banco, facto que aliás o banco quer usar a ser favor, como se percebe por declarações prestadas por fontes ao jornal espanhol ABC. Os demais interessados são fundos privados ("private equities") ou conglomerados (precisamente o modelo que o BES/GES tinha, e que tem sido posto em causa designadamente pelos deputados da Comissão Parlamentar de Inquérito).

Para já, a dianteira em preço está nas propostas chinesas. Depois de um período de dez dias para que os excluídos possam recorrer dessa decisão, os candidatos terão acesso a informação detalhada ("data room") sobre o Novo Banco, para então sim apresentarem as suas propostas finais e vinculativas. A decisão recai no Banco de Portugal, que permanece num silêncio tumular sobre o assunto. Se existir prejuízo na venda, como se perspetiva, está previsto que ele fique alojado no Fundo de Resolução. Ou seja, distribuído pelos demais bancos.

[Texto publicado no Expresso Diário de 9 de abril de 2015]