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CDS demarca-se do Banco de Portugal

Cecília Meireles teceu críticas à atuação do Banco de Portugal

Alberto Frias

Centristas concordam com solução, mas questionam se regulador não demorou demasiado a ver problemas e se não houve "excesso de confiança" em relação a Ricardo Salgado.

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Jornalista da secção Política

O CDS reafirmou esta tarde, na audição parlamentar com o governador do Banco de Portugal, a concordância com a solução avançada para o BES, mas deixou claro que tem reservas em relação à atuação do regulador.

Falando em nome dos centristas, a deputada Cecília Meireles questionou o tempo que o BdP demorou a detetar problemas tão graves, o prejuízo que esta solução acarreta para os pequenos acionistas que confiaram nas garantias do regulador, e a demora na substituição da administração liderada por Ricardo Salgado.

"Sera que não houve um excesso de confiança do supervisor na (anterior) administração? A administração não devia ter sido imediatamente substituída? Isso não podia ter permitido evitar uma parte do que aconteceu?", questionou a deputada do CDS, lembrando que boa parte do prejuízo apresentado neste primeiro semestre resulta de ações da equipa de Ricardo Salgado quando esta já estava de saída.

Meireles questionou também como foi possível, "depois de todos os esforços da supervisão e dos problemas da supervisão em Portugal", depois da intervenção da troika, e "depois de tantos testes e verificações", "só se perceber agora que havia problemas desta dimensão". E deixou a sentença: "Isto não se pode repetir, e é importante perceber o que correu mal, porque manifestamente correu." As palavras mais duras que se ouviram até agora de vozes da maioria em relação a Carlos Costa.



"Confiaram na garantia do BdP"

A deputada da maioria, sempre em tom de pergunta, continuou a deixar críticas à atuação do Banco de Portugal. Lembrando as consequências desta solução para os pequenos acionistas, "sobretudo" os que investiram "no último aumento de capital" porque "confiaram na garantia do BdP e investiram todas as suas poupanças".

"Qual a resposta para essas pessoas?", perguntou Cecilia Meireles, como antes é depois já tinham perguntado deputados da oposição. Resposta de Carlos Costa: "Sou o primeiro a lamentar que haja um bail in", disse, sobre os pequenos acionistas, mas "o governador do Banco de Portugal não se pronunciou sobre o aumento de capital que teve lugar, nem tinha de se pronunciar porque não é sua competência. Apenas tem de se pronunciar sobre a sua necessidade" do aumento de capital.

A deputada do CDS questionou ainda a validade das auditorias feitas às contas.

"Não podemos basear a supervisão no pressuposto de que as contas são verdadeiras" e depois descobrir que são falsas, afirmou. "É preciso que os atos de auditoria tenham consequências. Alguém atestou aquelas contas, que responsabilidade tem esse alguém? Porque não é só o BES, há mais contas a se atestadas", avisou.