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Caso BPP é um 'gigantesco embuste'

Francisco Louçã diz que o BPP não tem activos que protejam a garantia do Estado de €450 milhões. Isto quando o Banco de Portugal se prepara para decretar a falência da instituição.

Mário Lino, correspondente no Algarve (www.expresso.pt)

No momento em que se aproxima a decisão do Banco de Portugal, que ao que tudo indica optará pela falência do Banco Privado Português, Francisco Louçã critica a decisão do executivo socialista, que optou por avalisar a dívida do BPP.

"Eu não percebo porque é que durante tanto tempo se manteve esta indefinição e até algum desrespeito para com alguns depositantes que tinham de saber o que se passava, agora o grande problema é outro, é que o Estado pôs lá uma garantia de 450 milhões de euros e o relatório do Banco de Portugal e do Ministério das Finanças dizia que esse dinheiro estava garantido porque havia activos de 672 milhões que protegiam esse dinheiro. O que nós sabemos é que isso é tudo um gigantesco embuste", afirma Francisco Louçã, quando questionado hoje pelo Expresso, à margem de uma conferência na Faculdade de Economia do Algarve.

450 milhões perdidos 

O líder do Bloco de Esquerda diz não perceber a opção de suportar o BPP e muito menos de como poderá o Governo explicar essa decisão aos portugueses, à luz da realidade que agora se avizinha: "E como é que os portugueses vão aceitar agora que num país com dificuldades se possam perder 450 milhões de euros numa operação mal pensada, mal organizada? Não é aceitável. Se isto se concretizar como os números o indicam o Ministro das Finanças e o Governador do Banco de Portugal têm uma responsabilidade perante os portugueses que é muito grave", conclui.

Segundo o Diário Económico, o Banco de Portugal deverá, entre hoje e amanhã, confirmar a decisão de retirar a licença ao Banco Privado Português (BPP), medida que a Privado Holding, entidade que gere o BPP, irá contestar ainda hoje.

À espera de indemnizações 

A concretizar-se, a insolvência do banco servirá para avançar com o accionamento oficial dos sistemas de garantia até ao dia 15 de Abril, prazo que o Governo tinha estipulado, abrindo assim as portas à utilização do Fundo de Garantia de Depósitos (FGD), que poderá indemnizar os depositantes até 100 mil euros, individualmente, bem como  o Sistema de Indemnização aos Investidores (SII), com um tecto de 25 mil euros por investidor.

Esta medida poderá no entanto ainda ser contestada pelos outros 'parceiros' da banca portuguesa, uma vez que a Associação Portuguesa de Bancos (APB) poderá avançar para a contestação judicial, por não concordar com o accionamento desses fundos para o pagamento aos clientes do BPP.