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Cartas de conforto de Salgado a investidores na Venezuela feitas à "revelia" da administração

Rui Silveira assegura que administradores do BES não conheciam as garantias no valor de 267,2 milhões de euros.

O ex-administrador do BES Rui Silveira assegurou hoje que os administradores do banco não conheciam as cartas de conforto passadas por Ricardo Salgado a dois investidores institucionais venezuelanos, no valor de 267,2 milhões de euros.

Segundo o mesmo responsável, as cartas de conforto endereçadas ao Banco de Desarrollo Economico y Social Venezuela e ao Fondo de Desarrollo Nacional Fonden "foram assinadas à revelia dos restantes membros da administração".

Apesar de serem datadas de 09 de junho de 2014, e assinadas quer por Salgado, antigo presidente do Banco Espírito Santo (BES), quer por José Manuel Espírito Santo - que já disse na comissão de inquérito parlamentar que foi Salgado que lhe pediu para assinar as cartas, garantindo que não tinha conhecimento do seu conteúdo - Rui Silveira assegurou que a comissão executiva do BES só teve conhecimento da existência destas cartas a 15 de julho.

"Nesse mesmo dia foi dado conhecimento ao Banco de Portugal", revelou, acrescentando que no dia seguinte questionou pessoalmente Salgado sobre se tinha assinado as cartas, recebendo uma resposta afirmativa.

 Rui Silveira garantiu que "Era absolutamente impossível prevenir a emissão de tais cartas", considerando que as mesmas não vinculavam o pagamento da verba inscrita aos investidores venezuelanos.

"A condição de exigibilidade tinha caído", afirmou, explicando que não se concretizou o aumento de capital da Rioforte que os investidores venezuelanos se tinham comprometido a subscrever.

Silveira assegurou que, apesar de já não estar no banco (saiu a 30 de julho, por ordem do Banco de Portugal), a 06 de agosto passado deu conta desta situação ao então presidente do Novo Banco (banco de transição que resultou da resolução aplicada ao BES pelo Banco de Portugal), Vítor Bento, e ao presidente do BES (o banco mau, que ficou com os ativos considerados tóxicos do BES, mantendo o nome), Luís Máximo dos Santos.

Entre muitas matérias abordadas ao longo da tarde na audição de Rui Silveira, antigo administrador jurídico do BES, destaque para o facto de o responsável ter revelado que foi informado do afastamento do cargo que desempenhava há anos no banco através de notícias que saíram na comunicação social.

"É outra coisa extraordinária", vincou, perante os deputados que integram a comissão parlamentar de inquérito ao caso BES/GES.