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Carlos Tavares questiona silêncio de acionistas e analistas da PT

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Tiago Miranda

Presidente da CMVM interroga-se sobre o facto de ninguém ter dado atenção à aplicação de 900 milhões da operadora telefónica no GES. Circulação de informação poderia ter permitido à Oi conhecer" a aplicação 

O presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) estranha que acionistas e analistas da Portugal Telecom (PT) não tenham questionado a empresa sobre o montante elevado que tinha em aplicações de tesouraria, que podia ter servido para abater dívida, por exemplo. A ocultação  da exposição ao Grupo Espírito Santo (GES) nas contas da PT desde 2010 foi objecto de um processo de contraordenacao.

Carlos Tavares questiona porque motivo os acionistas e os analistas da Portugal Telecom nunca investigaram o que se passava com as aplicações de tesouraria da empresa que chegavam a montantes muito elevados. O presidente da CMVM interrogou-se porque "nenhum analista" ou "nenhum acionista foi ver" o porquê da PT ter 900 milhões de euros aplicados em dívida do GES. 

Confrontado hoje na Comissão Parlamentar de Inquérito sobre consequências da ocultação a exposição ao GES nas contas da operadora telefónica desde 2010, Tavares adiantou que foi "aberto um processo de contraordenacao".

Oi poderia ter sabido

Regulador manifesta estranheza pelo facto de os acionistas não terem tido curiosidade em saber se a Oi sabia das aplicações no GES. "A nossa convicção é que a circulação de informação (...) poderia ter permitido à Oi conhecer" a aplicação da PT no GES, referiu Carlos Tavares.

O presidente da CMVM questiona ainda porque os acionistas não mostraram "grande curiosidade" em apurar se a Oi sabia ou não.  

Frisou que os acionistas eram "os principais interessados" em apurar esse facto. E apontou que a operação de fusão poderia ser eventualmente reversivel. "Se o aumento de capital (da OI) foi reversivel nessa parte (valor dos ativos da PT) haveria formas de o reverter noutras partes".

Mas "os acionistas não deram tempo para ser feito" um estudo e uma análise ao assunto.

 

Carlos Tavares apontou que o conselho de administração, comissão executiva e comissão de auditoria da PT teriam de conhecer o assunto. E estranha que ninguém tenha feito perguntas sobre o facto de a empresa ter 900 milhões aplicados "com o endividamento que tinha".

 

"Novecentos milhões não é uma quantia pequena", frisou. Adiantou que, além disso, a percentagem da aplicação de tesouraria face ao ativo era muito superior ao das congéneres europeias da PT.

 

Tavares questiona como é que nenhum administrador, membro da comissão de auditoria ou auditor não tenha perguntado onde estavam aplicados os 900 milhões de euros. Bem como porque nunca questionaram porque a empresa não abatia divida com aquele valor para melhorar os ratings que estavam a penalizar as condições de financiamento da PT.

 

Sobre o facto de haver uma parceria estratégica entre a PT e o BES, afirmou:"Há os investimentos rentáveis e os estratégicos".