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Carlos Tavares alerta para possível tempestade perfeita nos mercados

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O presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliarios lançou hoje um "alerta muito forte". Diz que os riscos nos mercados sao hoje maiores do que há um ano atrás. E avisa para sinais de sobrevalorização nas ações nos EUA e também para algumas bolhas no imobiliário. Mas é nas obrigacões, sobretudo de alto rendimento, que está o maior perigo.

Elisabete Tavares, com Lusa

Os riscos nos mercados são hoje mais altos do que há um ano e podem estar criadas as condições para a tempestade perfeita, alerta o presidente da Comissao do Mercado de Valores Mobiliarios (CMVM).

Carlos Tavares quis "deixar este alerta muito forte" na sua ultima passagem pelo parlamento.

"Um ano depois eles (os riscos) mantiveram-se e acentuaram-se e constituem aquilo que pode Ser a tempestade perfeita", afirmou na Comissão de Orçamento e Finanças.

Explicou que as baixas taxas de juro aliadas a uma enorme liquidez levaram a uma excessiva tomada de  risco por parte dos investidores. E frisa que alguns dos remédios usados para resolver a crise económica e financeira podem levar a outra crise.

Entre os mais expostos aos riscos estão os bancos centrais devido às suas políticas de compra de ativos, os investidores institucionais e individuais, mas também os bancos pela via da alavancagem aos investidores. "Daí a tempestade perfeita".

Identificou sinais de uma sobrevalorização de precos nas ações nos Estados Unidos, em alguns casos na Europa, mas tambem no imobiliário. É sobretudo nas obrigacoes de rendimento mais elevado que reside o maior risco.

Empresas com crédito a mais

Carlos Tavares, alertou hoje para o "crédito a mais" das empresas portuguesas, vincando que estas precisam de "mais capital e menos dívida".

As empresas "têm crédito a mais", disse Carlos Tavares no parlamento, reconhecendo que a sua posição possa ser "impopular".

O responsável, que falava na Comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública (COFAP), chamou também a atenção para as "fortes limitações à capacidade de investimento e crescimento das empresas".

"Elevados níveis de endividamento, com redução modesta" e "elevada absorção da rentabilidade por encargos financeiros, mesmo com taxas de juro baixas", são fenómenos elencados por Carlos Tavares no que se refere às empresas portuguesas.

O presidente da CMVM sublinhou ainda os "muito elevados níveis de incumprimento" a nível de crédito e os "baixos níveis de autonomia financeira" das empresas.

Carlos Tavares está a ser ouvido esta tarde pelos deputados numa audição onde está a apresentar o plano de atividades da CMVM e a programação do seu desenvolvimento.

Ao mesmo tempo, o responsável está a fazer um balanço dos trabalhos da entidade entre 2005 e 2015.

A audição é uma obrigatoriedade estabelecida pela lei-quadro das entidades reguladoras.