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Carlos Costa pediu a 7 de abril para Salgado sair

FOTO JOSÉ CARLOS CARVALHO

Expresso revela carta de abril onde o governador do Banco de Portugal pede uma transição na liderança do BES, que não aconteceu nas datas previstas. Esta terça-feira, na comissão de inquérito, Salgado disse que nunca lhe pediram "taxativamente" para sair. "Para eu sair, bastava que Carlos Costa tivesse feito um sinal", disse. Já depois de o Expresso ter publicado esta notícia, o Banco de Portugal revelou uma carta que Carlos Costa enviou esta terça ao Parlamento em reação às declarações de Salgado. 

Não diz "saia", mas uma carta de início de abril não podia ser mais clara. Carlos Costa escreve, em resposta a uma carta anterior de Ricardo Salgado sobre as alterações do modelo de governance,  que "as alterações estatutárias referidas constituem uma base sólida para uma transição ordenada na liderança do BES e criam as condições necessárias para restaurar plenamente a confiança na instituição". Ou seja, trata-se da saída de Salgado, que deveria acontecer numa assembleia geral prevista para dia 5 de maio. O que nunca veio a acontecer.

A carta de 7 de abril começa por referir duas cartas, uma entregue em mão na reunião que ocorreu entre Ricardo Salgado e Carlos Costa a 31 de março e outra recebida pelo Banco de Portugal nesse mesmo dia. As duas tinham o mesmo assunto, o tempo e modo das alterações do modelo de governo do Grupo Espírito Santo. Alterações que tinham sido exigidas pelo supervisor em carta de dia 26 de fevereiro, depois de terem sido conhecidos os severos impactos financeiros negativos na Espírito Santo Financial Group da dívida de curto prazo da Espírito Santo International, bem como o impacto da reputação do BES.

As medidas exigidas queriam evitar ou mitigar situações de conflitos de interesse entre os ramos financeiro e não financeiro do GES, bem como assegurar um adequado fluxo de informação intragrupo  e para o Banco de Portugal. As alterações são consideradas "manifestamente urgentes" pelo Banco de Portugal, que pede que sejam tomadas em assembleia geral, "que em princípio será convocada para dia 5 de maio". Só esta alteração "constitui a melhor defesa face aos riscos reputacionais latentes e a melhor forma de responder à sucessão de notícias surgidas na comunicação social, que tem vindo a contribuir para um clima de instabilidade indesejável antes do aumento de capital", adianta a mesma carta.

E conclui que, "em suma, as alterações estatutárias acima referidas constituem uma base sólida para uma transição ordenada na liderança do BES, em conformidade com as preocupações manifestadas por V.Exa. aquando da nossa reunião de 31 de março último, e criam condições necessárias para restaurar plenamente a confiança na instituição."

A carta refere ainda que Salgado, no seguimento da reunião com Carlos Costa, estava a pensar criar "um novo órgão do BES, de natureza estratégica [que seria presidido por Ricardo Salgado] e com uma adequada representação acionista que não duplicasse as funções dos órgãos sociais, designadamente dos que desempenham funções de administração". A esta medida, Carlos Costa refere que deve ter um amplo e sólido consenso accionista e não envolver riscos de avaliação de idoneidade. 

Sobre a sua saída do BES, Salgado afirmou esta terça-feira no Parlamento que "o sr. governador nunca me disse taxativamente que eu deveria sair da administração do BES". "Disse a 19 de junho que todas as pessoas da família, todas, teriam de sair da administração do BES", referiu. "Nunca o sr. governador me disse que queria retirar-me a idoneidade. Bastava que tivesse feito um sinal para eu sair do BES."

Já depois de o Expresso ter publicado esta notícia, o Banco de Portugal revelou uma carta que Carlos Costa enviou esta terça ao Parlamento em reação às declarações de Salgado.  

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