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Cantiga Esteves. "Há um desespero completo de tesouraria" na TAP

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FOTO LUÍS BARRA

Presidente da comissão de acompanhamento da privatização da companhia aérea, ouvido esta quarta-feira no Parlamento, considera que "é absolutamente agonizante viver minuto a minuto" e realçou os problemas operacionais da empresa no segundo semestre do ano passado.

Para Cantiga Esteves, "é urgentíssima a capitalização" da TAP, porque "o que pode estar em causa é a sobrevivência da empresa".

Perante os deputados da comissão de Economia e Obras Públicas, na sequência de um requerimento do PS, Cantiga Esteves realçou os problemas operacionais da empresa no segundo semestre do ano passado, que acabaram por se refletir nos resultados da TAP.

Interrompendo um ciclo de resultados positivos que durou cinco anos, a TAP registou prejuízos de 46 milhões de euros em 2014, sobretudo devido a dificuldades operacionais, que totalizaram uma perda de 108 milhões de euros.

Estes prejuízos, sublinhou o economista, obrigaram a "olhar para a avaliação" do grupo.

Capitalização urgente

João Cantiga Esteves considera "urgentíssima a capitalização" da TAP e defende o modelo escolhido pelo Governo para vender o grupo. Segundo o economista, uma privatização em bolsa não seria a melhor solução. "Uma empresa com capitais próprios negativos não tem capital para colocar em bolsa."

Cantiga Esteves também afasta a hipótese de haver uma injeção de capital pelo Estado, modelo defendido pelo PS. "Os pedidos de recapitalização pública são acompanhados de um conjunto de condicionalismos. São autorizados com um caderno de encargos pesado", com "redução de emprego, de rotas não lucrativas e de frota", afirmou.

A intenção do Governo é concluir a venda até ao final do primeiro semestre, pelo que os candidatos têm até 15 de maio para entregar as suas ofertas.

O modelo escolhido passa pela alienação de até 66% do capital do grupo TAP (61% junto de investidores e 5% junto dos trabalhadores), sendo que os seus futuros donos poderão exercer uma opção de compra passados dois anos e durante um período de seis meses. O Governo fica ainda com uma opção de venda dos restantes 34% do capital, podendo o Estado sair totalmente do capital.