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Buraco no GES: o contabilista fez tudo sozinho? "Não acredito"

Sikander Sattar estará esta tarde no Parlamento. É a segunda vez que fala sobre o caso. A primeira foi numa entrevista ao Expresso em setembro, em que o presidente da KPMG Portugal fez várias revelações com as quais poderá ser confrontado hoje. 

O contabilista fez tudo sozinho? "Não acredito".  Esta foi uma das respostas de Sikander Sattar ao Expresso, numa entrevista publicada em setembro que repescamos no dia em que o presidente da KPMG Portugal estará a ser ouvido na Comissão Parlamentar sobre o caso BES e GES. No caso, o auditor era confrontado com a afirmação anterior de Ricardo Salgado, que atribuíra a responsabilidade do "buraco" na Espírito Santo International (oficialmente confirmada num relatório da KPMG) ao "commissaire aux comptes", ou técnico de contabilidade.

A entrevista faz várias revelações, com as quais Sikander Sattar poderá ser confrontado no Parlamento. Recusando ter cometido falha grave no BES Angola, Sikander acusou os reguladores de terem ignorado alertas da KPMG de 2011 e 2012. E disse que "havia confiança entre mim e a KPMG, o BES e Ricardo Salgado"

A entrevista na íntegra pode ser lida aqui. O Expresso republica em baixo um excerto sobre o papel do contabilista no "buraco" da ESI:

 

O auditor não sabia porque a informação da ESI era falsa. Os departamentos internos do banco não sabiam pela mesma razão. A ESI não era auditada e tinha apenas um contabilista. Há uma pessoa que consegue fazer isto tudo?!

Desculpe, não há uma pessoa. Havia um conselho de administração da ESI, que eu saiba.

Toda a gente foi enganada? Como pode um cidadão normal acreditar nisso?

Estamos na questão do governo societário e da qualidade de informação.

Há uma pessoa que conseguiu enganar toda a gente? O Dr. Ricardo Salgado diz que sim, que foi o "commissaire aux comptes". Quantas vezes se reuniu com ele, com o Dr. Machado da Cruz?

Eu pessoalmente? Uma ou duas vezes, já na fase da conclusão final do relatório. Houve uma reunião com os representantes da ESI e na presença do Dr. Machado da Cruz, em que eu também estive. A KPMG teve mais reuniões com ele, na Suíça, de dezembro de 2013 até janeiro de 2014, quando esteve a preparar o relatório com finalidade especial.

Ele colaborou?

Sim. Aquilo que a nossa equipa sentiu entre dezembro e janeiro foi de que ele colaborou totalmente de forma a que a KPMG pudesse apurar a verdade dos factos.

Acredita que ele sozinho tenha feito uma ocultação de dívida de 1,3 mil milhões de euros e uma sobreavaliação de ativos de outro tanto?

Não acredito.

Tem de ter havido ação de mais pessoas?

Não sei quem esteve envolvido, não tenho evidência para isso, mas não me parece que seja possível admitir que seja um trabalho de uma única pessoa.

De quem suspeita?

Não posso fazer julgamentos desse tipo.