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BRICS: balde de água fria na zona euro

As cinco potências emergentes afirmaram que pretendem agir em conjunto e não casuisticamente em relação à crise da dívida europeia. E que o farão predominantemente através do FMI e de fóruns internacionais, como o G20.

Jorge Nascimento Rodrigues (www.expresso.pt)

"Os BRICS estão disponíveis para considerar, se necessário, dar apoio, através do Fundo Monetário Internacional, ou de outras instituições financeiras internacionais, para se enfrentar os desafios à estabilidade financeira internacional", disseram ontem em Washington DC os ministros das Finanças e os presidentes dos bancos centrais das cinco potências que formam o grupo conhecido pelo acrónimo que reúne o Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. O apoio, no entanto, dependerá "das circunstâncias individuais de cada país".

Medo de um "salto qualitativo"

Na agenda da reunião deste grupo de economias emergentes, que se realizou à margem das reuniões do FMI e do Banco Mundial que estão a decorrer na capital federal norte-americana, esteve a questão da crise da dívida europeia. "Existe o real perigo de que a crise da dívida soberana, que não está a ser solucionada, se possa transformar numa nova crise financeira", advertiu Guido Mantega, o ministro da Fazenda (Finanças) do Brasil. O tema "Grécia" foi citado explicitamente por Mantega.

O ministro brasileiro afirmou, também, que " se está vivendo um agravamento da crise nos últimos meses", o que requer que se "impeça que se dê um salto qualitativo, alcançando um nível mais grave".

Ação conjugada e não cada um por si

O enfoque na importância de uma ação conjugada do grupo através do FMI e de instituições internacionais revela a importância que os BRICS dão ao reforço geopolítico da sua posição dentro destes organismos internacionais e à estratégia de funcionarem como uma "frente" nos fóruns internacionais, como o G20. Os BRICS insistem no reforço do seu poder de voto dentro do FMI. Contudo, a próxima revisão de quotas só está agendada oficialmente para janeiro de 2014 - daqui a mais de dois anos e três meses, o que, nos tempos que correm, é uma eternidade.

Conjugação de esforços a que é dada, aparentemente, mais importância do que à ação isolada de cada uma destas potências em relação a cada país em apuros em concreto. Esta perspetiva de ação coletiva por parte do grupo foi sublinhada, em particular, pelo governador do Banco Popular da China (o banco central), Zhou Xiaochuan.

Salvação imediata posta de lado

A perspetiva de "salvação imediata" e "em força" dos "periféricos" da zona euro, através de uma ação massiva no mercado secundário dos títulos do Tesouro ou nos leilões de dívida, parece, também, ter levado um balde de água fria. Ações pontuais continuarão a existir, mas serão marginais, segundo frisaram fontes chinesas à Voz da América.

A proposta do Brasil de agirem diretamente na Europa, inclusive no mercado secundário da dívida ou em instrumentos financeiros europeus potenciais, como as euro-obrigações, foi arrefecida pelos outros quatro parceiros. Guido Mantega tinha falado na possibilidade do seu país alocar 10 mil milhões de dólares para uma intervenção na zona euro.

Mas o ímpeto brasileiro foi travado, afirmou, ontem, o ministro das Finanças da África do Sul, Pravin Gordhan. "Não fomos tão longe", disse à Reuters. O vice-ministro das Finanças russo, Sergei Storchak, citado também pela Reuters, comentou: "Todos temos diferentes formas de tomar decisões, não podemos sindicar o nosso dinheiro".