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BPI devolve aos gestores cortes feitos nos salários

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Em 2014, Fernando Ulrich, presidente-executivo do BPI, viu entrar na sua conta 1,13 milhões de euros, quase o triplo do valor recebido no ano anterior

António Cotrim/Lusa

O banco repôs os salários da administração e devolveu os cortes salariais que fizera durante os dois anos e meio que durou a ajuda estatal.

O BPI repôs os salários e pagou retroativos aos administradores que tinham sofrido cortes no âmbito do empréstimo do Estado, que vigorou entre o segundo semestre de 2012 e o primeiro semestre de 2014. A  notícia da reposição é avançada esta quinta-feira pelo "Diário de Notícias".

Além da reposição do valor salarial, o banco devolveu ainda os montantes que tinham sido cortados durante a ajuda do Estado. Esta reposição já estava, no entanto, prevista desde o início do empréstimo estatal, em 2012.

Nessa altura, os acionistas aprovaram, em assembleia geral, a proposta da Comissão de Remunerações que previa que fossem pagos aos "membros do Conselho de Administração, da Comissão Executiva e do Conselho Fiscal os montantes correspondentes à redução da sua remuneração fixa resultante da aplicação da deliberação".

€2,9 milhões de remuneração

Esta é a justificação para o aumento dos salários do Conselho de Administração entre 2013 e 2014. Segundo o Relatório do Governo de Sociedades do BPI, citado pelo "Diário de Notícias", a equipa de gestão recebeu, em 2014, 2,9 milhões de euros de remuneração fixa, mais 4,7% do que em 2013.

O aumento ficou a dever-se ao facto de o banco ter concluído, em junho de 2014, o reembolso da totalidade dos 1500 milhões de euros de obrigações de capital contingente ( CoCo's).

A partir dessa altura, a equipa de Fernando Ulrich passou a receber  as remunerações que tinham antes dos cortes. O presidente-executivo, Fernando Ulrich, recebeu, em 2014, 1,13 milhões de euros, quase o triplo do valor de 2013, ano em que recebera 425 mil euros. O aumento de 168% incorpora retroativos dos anos da intervenção estatal. Cerca de metade (48%) decorre desse efeito. O gestor beneficiou também do regresso da componente variável.

Artur santos Silva, presidente não-executivo, recebeu, em 2014, 267 mil euros (+236% do que em 2013). Em retroativos, Santos Silva recebeu 150 mil euros.