Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Bolsa de Tóquio fecha no vermelho apesar de pacote Keynesiano

A divulgação de um caso suspeito de morte pelo vírus Ébola foi o suficiente para anular esta segunda-feira o potencial efeito do pacote de estímulos equivalente a 24 mil milhões de euros aprovado pelo governo de Shinzo Abe no sábado.

A Bolsa de Tóquio fechou no vermelho esta segunda-feira. O índice Nikkei 225 perdeu 0,5% e o índice TOPIX caiu 0,2%. A Reuters referiu que a bolsa nipónica foi sensível à divulgação pelo ministro da Saúde de um caso suspeito de morte pelo vírus Ébola.

Na sexta-feira passada, a bolsa fechou em terreno positivo e os índices bolsistas nipónicos são positivos em termos de evolução desde o início deste ano. O Nikkei 225 já valorizou mais de 9% em 2014, uma subida um pouco superior à registada para o Dow Jones de Wall Street. Na análise dos principais índices mundiais, o Nikkei 225 tem a quarta melhor valorização, depois do Índice composto de Xangai (China), do BSE Sensex da bolsa de Mumbai (Índia) e do S&P 500 de Wall Street (EUA).

O temor ao Ébola anulou o potencial efeito positivo do pacote de inspiração Keynesiana aprovado pelo governo de Shinzo Abe no sábado, no âmbito da sua estratégia económica anti-deflação designada como "abenomics" (derivada do apelido do primeiro-ministro).

O governo japonês aprovou um orçamento suplementar de 3,5 biliões de ienes, o equivalente a 24 mil milhões de euros, no âmbito do que é designada a estratégia económica "abenomics". O governo de coligação chefiado por Abe, que ganhou folgadamente as eleições antecipadas para a Câmara Baixa do Parlamento (Dieta) realizadas a 14 de dezembro, prevê que este pacote possa aumentar o PIB no próximo ano em 0,7 pontos percentuais. Sem este pacote, as previsões para 2015 apontavam para um crescimento de 0,8%, segundo o Fundo Monetário Internacional, e de 1,2% segundo a OCDE.

As medidas já estavam em preparação há uns meses, mas tornaram-se urgentes face à contração da economia nipónica no segundo e terceiro trimestres de 2014, o que tecnicamente a coloca em recessão, e à queda da inflação subjacente (descontando a variação de preços nos alimentos frescos e sem contar com o impacto do aumento do IVA em abril) para 0,7% em novembro, apesar das medidas de "alívio quantitativo e qualitativo" monetário por parte do Banco do Japão, que aumenta mensalmente o seu balanço em 1,4% do PIB, e da desvalorização do iene desde o início do ano (16% face ao dólar e 3% face ao euro).

Metade do pacote de inspiração Keynesiana, aprovado no sábado, dirige-se a obras públicas (no sentido de prosseguir a reconstrução depois dos desastres naturais recentes e de avançar com medidas de prevenção anti-catástrofe), 35% a programas municipais dirigidos às famílias residentes de mais baixos rendimentos (cupões para compras e subsidiação do consumo de energia) e às pequenas empresas (mais prejudicadas com o impacto da desvalorização do iene nas importações) e os 15% restantes serão aplicados na revitalização das comunidades rurais. O governo já havia adiado para abril de 2017 o segundo aumento do IVA programado para outubro de 2015, uma medida que herdara do governo anterior à primeira vitória eleitoral de Abe em 2012. Um painel de especialistas está a estudar uma redução do imposto sobre as empresas na ordem de 2,5 pontos percentuais.