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Bolsa alivia perdas e Estado recompra 300 milhões de dívida

Depois do pânico, Bolsa de Lisboa fez uma pausa nas quebras e já só perde  0,71%. Estado recomprou hoje no mercado cerca de €300 milhões em dívida portuguesa, sinal de que tem liquidez e não há problemas de financiamento

Anabela Campos (www.expresso.pt)

Após uma quebra superior a 6%, a Bolsa de Lisboa está a recuperar e a meio da sessão, às 12h20, o PSI20 já só estava a perder 0,71%. Os investidores acalmaram, admitem os analistas, mas a tendência de mercado mantém-se negativa, e a volatilidade continua a ser a palavra de ordem, até porque, avisam, a bolsa portuguesa continua a ser alvo de ataques especulativos.

Como nota positiva, os analistas ouvidos pelo Expresso salientam o facto do IGCP - Instituto de Gestão de Tesouraria de Crédito Público - ter vindo ao mercado recomprar cerca de 300 milhões de euros de dívida pública, um claro sinal de que o Estado português tem liquidez e não está com dificuldades de financiamento.

A praça portuguesa já movimentou hoje quase 300 milhões de euros em acções, o que é considerado positivo, uma vez que mostra que há compradores e vendedores no mercado. Os analistas sublinham que a Bolsa de Lisboa continua a estar nas mãos dos especuladores, cujos movimentos são difíceis de travar. Afirmam  que não há razões para Portugal estar com níveis de riscos semelhantes aos da Líbia, Estónia e Turquia. E defendem que a situação só acalmará verdadeiramente quando ficar claro que a União Europeia vai financiar a Grécia.

Entretanto, as acções do PSI20, apesar de continuarem na sua generalidade negativas, reduziram substancialmente as perdas, e já há mesmo títulos em terreno positivo, nomeadamente a EDP Renováveis, a Brisa e a Sonae. O BCP, que hoje já esteve a perder mais de 17%, está com uma desvalorização próxima dos 4%. E o BPI, que afundou 10%, limita agora a descida a cerca de 1%.

S&P atira gasolina para a fogueira

O Bank of America Merrill Lynch, que analisa hoje o impacto do corte do "rating" da dívida portuguesa e grega, pela Standard & Poor's (S&P), diz que a agência de notação está a "atirar gasolina para a fogueira". A casa de investimento norte-americana salienta que decisão da S&P, que cortou ontem o "rating" de Portugal em dois níveis para A-, e o da Grécia em três níveis para BB+, está a fazer crescer o sentimento negativo face à dívida dos países periféricos da Europa. O PSI20 ontem fechou com uma perda superior a 5%, pressionado pela decisão da S&P.

O Bank of America sublinha que o Governo português já fez saber que "vai continuar a fazer tudo o que for necessário para eliminar a situação de défice excessivo". E apesar de reconhecer o contágio que está a ocorrer da crise grega a Portugal, os economistas do banco afirmam que a acção política por parte dos países da União Europeia vai impedir um maior dano da turbulência que se vive na Grécia.Para ilustrar o peso diminuto de Portugal e Grécia na União Europeia, o Bank of América salienta que "a China importa muito mais para as principais economias do que Portugal e a Grécia".

Um analista de um grande banco português, ouvido pelo Expresso pedindo anonimato, admite que as agências de notação estão a ser duras com os países mais pequenos, por uma questão de prudência, porque no passado erraram, mas também porque é mais fácil ser agressivo com um país como Portugal, do que com países mais influentes. Inglaterra está com um défice superior ao português, e as agências de notação não estão a baixar o rating, exemplifica.