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BES usou Panamá e Suíça para financiar o GES

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FOTO Alberto Frias

Contrariando as ordens do Banco de Portugal, o Banco Espírito Santo foi financiando o Grupo Espírito Santo recorrendo a "vias paralelas" no Panamá e na Suíça.

Pedro Santos Guerreiro e Filipe Santos Costa

O BES usou as suas sociedades financeiras no Panamá e na Suíça para continuar a financiar o Grupo Espírito Santo, fintando o Banco de Portugal.

Esta é uma desobediência potencial ao Banco de Portugal, que pode levar a sanções da administração do BES.

São revelações confirmadas na auditoria forense ao Banco Espírito Santo, que acaba de ser entregue aos deputados da Assembleia da República, e que era aguardada com expectativa. A auditoria forense, recorde-se pode ser usada para apuramento de indícios potencialmente criminais, caso a Procuradoria Geral da República o entenda.

"No período entre 31-12-2013 e 30-06-2014", isto é, numa fase em que o Banco de Portugal havia já proibido o aumento da exposição do BES ao GES, "existe um aumento da exposição do Grupo BES ao ES Panamá e à Espírito Santo Financiére (ESFIL) (579,247 milhares de euros)", identifica a auditoria forense.

"No mesmo período existe também um aumento da exposição do ES Bank Panamá e da ESFIL à Espírito Santo International Holding (ESI) e à Espírito Santo Resources (ESR) (699,139 milhares de euros)".

Segundo a auditoria, os responsáveis das áreas de operações "não tinham conhecimento das determinações do Banco de Portugal nem dos destinos finais dos fundos tomados" pela Esfil e pelo ES Panamá  junto o BES. 

Esta é uma das conclusões retiradas na auditoria forense ao Banco Espírito Santo, a que o Expresso teve entretanto acesso, depois das primeiras notícias sobre o documento terem sido relevadas pelo Negócios.

A auditoria forense ao BES em causa foi encomendada pelo Banco de Portugal com o objetivo de "analisar a existência de evidência de prática de atos por parte do BES e/ou da ESFG que possam ser considerados contrários à estratégia definida pelos supervisor nessas determinações, no sentido de assegurar a redução substancial e efetiva dos riscos decorrentes da exposição direta e indireta a entidades do ramo não financeira do Grupo Espírito Santo".

A auditoria foi realizada pela Deloitte mas o relatório entregue pelo Banco de Portugal na Comissão Parlamentar de Inquérito inclui também um anexo realizado pela sociedade de advogados Rebelo de Sousa & Associados com "uma análise do potencial enquadramento jurídico das situações identificadas".