Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

BES. "Bancos não deviam poder ser controlados por offshores"

  • 333

Para Abel Mateus, a regulação não consegue penetrar nas contas do acionista de um banco se ele estiver no estrangeiro, o que dificulta o seu controlo. "Não vejo nenhum partido preocupado com isto", diz

David Clifford

Abel Mateus diz que o caso BES devia provocar alterações na regulação que estão a passar ao lado do debate. E indica a "receita" para escolher reguladores.

"O que aconteceu no BES devia ter impactos fortes na regulação", avisa Abel Mateus, economista que já foi presidente da Autoridade da Concorrência, depois de vários anos no Banco de Portugal. E dá duas recomendações concretas.



"Holdings em offshores não devem ser proprietárias de bancos", começa por dizer. Recorde-se que o BES era controlado por holdings asseadas no estrangeiro. A Espírito Santo International, por exemplo, tinha sede no Luxemburgo e foi aí que se descobriram contas falseadas. Para Abel Mateus, a regulação não consegue penetrar nas contas do acionista de um banco se ele estiver no estrangeiro, o que dificulta o seu controlo. "Não vejo nenhum partido preocupado com isto", disse.



A segunda lição que se aprende  com o caso BES é que se deve "limitar o financiamento aos acionistas do banco", acrescenta Abel Mateus.



"Estas duas medidas teriam evitado muitos problemas", diz.



Para Abel Mateus, a escolha dos reguladores é essencial. E ela deve ser feita escolhendo "pessoas com experiência, em fim de carreira e com apenas um mandato", de modo a garantir competência e independência.



Estas declarações foram feitas hoje em Lisboa por Abel Mateus num encontro do Bloco de Convergência e Estratégia, um "think tank" ligado a empresários e gestores portugueses.