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BES Angola emprestou mais do dobro dos seus depósitos

Banco controlado pelo BES em Angola tem um "fosso" comercial superior a 3,1 mil milhões de euros. Excesso de alavancagem levou o próprio Estado angolano a prestar garantias soberanas sobre os créditos das empresas angolanas. 

A informação está preto no branco no prospeto de aumento de capital do Banco Espírito Santo, tornado público nas últimas horas desta terça-feira. A diferença entre os depósitos recolhidos e o crédito concedido pelo BES Angola (BESA) confirma um excesso de alavancagem. 

À proporção entre créditos e depósitos chama-se rácio de transformação. Quando o valor é superior a 100% (ou seja, quando um banco concede crédito em valor superior aos depósitos que captou), isso significa que o banco contraiu ele próprio endividamento. O excesso desta alavancagem é considerada hoje como uma das razões que levou à bolha financeira que rebentou nos Estados Unidos e na Europa depois de 2007, na crise do subprime.

No caso do BESA, o rácio de transformação é de 220%, revela o prospeto de hoje. Ou seja, no final de 2013 o banco angolano controlado pelo BES tinha créditos a clientes no valor de €5.712 milhões e depósitos recebidos de €2.597 milhões. A diferença é de € 3.115 milhões, do que resulta o rácio de 220%. Para ter uma referência, o rácio máximo imposto pelo Banco Central Europeu neste momento é de 120%.

Para baixar o rácio, o BES Angola quer captar mais depósitos. No entanto, reconhece-se no prospeto, o BES "não pode garantir que irá ser bem-sucedido na sua estratégia de captação de recursos, podendo ser forçado a recorrer a outras fontes de financiamento mais onerosas ou reduzir a sua carteira de crédito". 

O BES detém 55,7% do capital do BES Angola. O relatório de auditoria das contas do BESA de 2013 ainda não foi emitido, tendo de sê-lo até 30 de junho.

Garantia do Estado Angolano dura mais um ano 

No final de 2013, o Estado Angolano deu uma garantia soberana até 5,7 mil milhões de euros aos créditos do BESA. Esta notícia, dada pelo Negócios há duas semanas, revela assim que há um "seguro" sobre os créditos do BESA.

"Reconhecendo que no contexto global de recuperação económica do setor empresarial Angolano as empresas e os investidores podem não apresentar as condições de tesouraria necessárias para fazer face ao cumprimento atempado das respetivas responsabilidades, o Estado Angolano estabeleceu esta garantia como forma de proteger o banco de eventuais atrasos e incumprimentos na liquidação dos ativos, cobrindo crédito e juros, que beneficiam da garantia (créditos e valores de venda de imóveis)", escreve o prospeto de hoje. 

A garantia pessoal do Estado Angolano tem a duração de 18 meses. Ou seja, até ao final de Junho de 2015.