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Belmiro revela o futuro: vai dedicar-se à educação, à agricultura e....à Sonae

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FOTO ALBERTO FRIAS

No dia em que celebra 50 anos na Sonae e começa a preparar a entrega da pasta de chairman ao filho Paulo, em abril, Belmiro de Azevedo fala do futuro:  continuará "a zelar" pelos valores da Sonae no "global advisory board" que o grupo vai criar.

Dois dias depois de anunciar que não vai recandidatar-se a um novo mandato de chairman da Sonae SGPS, Belmiro de Azevedo deixou claro esta quarta-feira, num almoço de celebração dos seus 50 anos no grupo, que está longe de pensar na reforma. A partir de agora, vai concentrar a sua atenção na educação, na agricultura e na estratégia da Sonae, em busca de novos negócios, novas tecnologias e novas geografias.

"Estamos a criar um think-tank de Educação em Portugal, encabeçado pela Fundação [Belmiro de Azevedo], ao qual dedicarei parte substancial do meu tempo futuro", anunciou Belmiro de Azevedo ao grupo de 300 convidados que participaram na cerimónia.

"Continuarei, também, a zelar pelos nosso valores enquanto acionista e no âmbito do 'global advisory board' que a Sonae está equacionar criar e que deverá apoiar decisões estratégicas do grupo em busca de novos negócios e novas tecnologias, com particular ênfase em outras geografias."

O restart de Belmiro

Aos 77 anos, o engenheiro que se estreou no mundo Sonae em 1965, a 2 de janeiro, assume que este será, para ele, "um verdadeiro restart em termos de competências e conhecimento", com o objetivo de garantir "a aposta long living".

Aliás, atento à ciência, que "avança à velocidade da luz", vai voltar a estudar, como no início, diz, sem problemas em compatibilizar os estudos com a atenção à educação, seja no think-tank que quer criar, na presidência do conselho de administração da Porto Business School ou no Colégio da Efanor, aberto pela Fundação Belmiro de Azevedo.

Mas na sua atividade nos próximos tempos há, também, espaço para agricultura, área em que Belmiro já está envolvido, designadamente através da plantação de kiwis, e para a floresta. "Continuarei, também, a dedicar-me ao sector primário em Portugal, incluindo a primeira e segunda transformação de produtos naturais, que considero, como tenho dito muitas vezes, absolutamente crítico para o sucesso do nosso país."

Num discurso em que fala dos 50 anos ou das 2.600 semanas vividas na Sonae, Belmiro de Azevedo promete, também, continuar a dar o seu contributo "de forma construtiva e empenhada e a ajudar aqueles a quem cabe agora a tarefa de levar o barco a bom porto".

Sobre este grupo, liderado pelo filho, que assumiu a presidência executiva da Sonae em 2007, diz: "A equipa é muito maior, a formação é mais profunda e diversa e existe uma plataforma operacional quase sem limites".

O destruidor criativo

O discurso desta quarta-feira segue um fio cronológico, para recordar o primeiro dia na Sonae, em que começou de imediato a "trabalhar arduamente, sempre focado em olhar e ver", numa missão de destruição criativa - para "destruir o que via porque efetivamente não servia para a Sonae". Fala ainda de Harvard, da pressão sobre Pinto de Magalhães para garantir uma gestão profissional e da greve de 1978, a única que conhece "a favor do patrão".

Traça, também, a evolução do grupo, a partir de uma empresa de madeira, para dizer que, 50 anos depois, "uma empresa que estava praticamente falida prepara-se para ser efetivamente a maior e mais importante long-living company da história portuguesa".

Fala de valores, ambição, competência, confiança, pessoas, rapidez de decisão, instinto, sucesso, internacionalização, em remar contra a maré, em melhoria contínua. Recorda as suas origens, no Marco de Canaveses, e os seus professores primários. Reconhece que nem sempre teve razão.  Diz que ao contrário do que muitos julgam, não é 100% racional nem pragmático.

Escola de empreendedorismo é para continuar

Não esquece uma nota sobre a escola de empreendedorismo criada na Sonae,  visível em sucessivos spin-offs.  "Fomos sempre empreendedores e sempre encorajamos os nossos quadros a sê-lo também ", diz Belmiro, sem esquecer uma referência aos nomes de Benjamim Santos, Romão de Sousa, Carlos Moreira da Silva, Pinto de Sousa, Jaime Teixeira, David Moreira, João Barros ou António Murta.

"São empreendedores que passaram  por esta casa e geram hoje faturação na casa dos mil milhões de euros e empregam cerca de 15 mil pessoas", sublinha, antes de manifestar a esperança de ver o grupo deixar partir novos empresários de sucesso.

Não esquece insucessos como o negócio da distribuição no Brasil, o processo Portucel ou a OPA sobre a PT, mas estas são "cicatrizes" que serviram para aprender e "os fracassos também devem ser contados e celebrados".

Cinquenta anos depois de entrar na Sonae, acredita que "as sementes estão apenas lançadas". É por isso que decidiu deixar todos os cargos de administração nas sociedades cotadas participadas pela Efanor, a sua holding pessoal, disse aos 300 convidados para o almoço que assinalou a data, entre colaboradores, família, amigos, convidados como Pinto Balsemão e Miguel Cadilhe.

Considera ser este o momento certo para agradecer publicamente à mulher, "pela dedicação e companheirismo", aos filhos e a toda a família, amigos, companheiros dos conselhos de administração e aos milhares de colaboradores do grupo, presentes e passados, com uma referência especial "aos que apoiaram uma dúzia de gestores durante quatro meses", na greve de 1978.

A última frase é curta: "Obrigado a todos e venham os próximos 50 anos".