Expresso

Siga-nos

Perfil

Perfil

Economia

Barroso propõe programas-piloto para reduzir desemprego jovem

  • 333

Presidente da Comissão Europeia apresentou esta tarde aos líderes europeus propostas imediatas para combater o desemprego e dar maior apoio às PME. E advertiu: os resultados de reformas estruturais em Portugal demorarão "algum tempo" a aparecer.

O presidente da Comissão Europeia propôs hoje aos oito Estados-membros da União Europeia com as maiores taxas de desemprego de jovens, entre os quais Portugal, o lançamento imediato de programas-piloto para reduzir este fenómeno.

Dirigindo-se na cimeira de Bruxelas aos chefes de Estado e de Governo dos 27, José Manuel Durão Barroso apontou que para os oito países com níveis de desemprego jovem significativamente acima da média da UE - Espanha, Grécia, Eslováquia, Lituânia, Itália, Portugal, Letónia e Irlanda - Bruxelas propõe a formação imediata de "equipas de acção" compostas pelas autoridades dos países, pelos parceiros sociais nacionais e pela Comissão.

"Nas 11 semanas entre agora e meados de abril, as 'equipas de ação' desenvolverão planos com objetivos a serem incluídos nos programas nacionais de reformas" e, tendo como base os fundos sociais e regionais que ainda podem ser reprogramados, essas equipas combinarão fundos nacionais e europeus, explicou.

Portugal ganharia em redirecionar fundos para PME

Durão Barroso propôs também aos líderes europeus que redirecionem fundos estruturais não utilizados para programas de empréstimo às pequenas e médias empresas e apontou que Portugal é um dos países que mais poderia beneficiar deste impulso.

Dirigindo-se aos chefes de Estado e de Governo da União Europeia, Durão Barroso apontou que ainda há muitas verbas a serem cedidas no quadro dos atuais fundos estruturais, designadamente €82 mil milhões.

"Boa parte deste montante já está destinado a bons projetos, mas pelo menos parte deste dinheiro poderia ser redirecionado para programas de empréstimo para as PME, se vocês fizerem essa escolha", disse Durão Barroso, que convidou mesmo os países que ainda têm muitos fundos por utilizar a "sentarem-se à mesa com a Comissão" para avaliar as vantagens de reprogramar os fundos.

Governos devem superar "resistências burocráticas"

O presidente do executivo indicou que Bruxelas e os Estados-membros poderão decidir em conjunto retirar dinheiro de programas com fraco desempenho ou menos prioritários e colocá-lo em mecanismos existentes que se tenham revelado eficazes, ou "acelerar a ajuda às PME", reforçando as possibilidades de crédito já esgotadas.

"Eu sei que o Mário (Monti) tem estado a fazer isto muito recentemente em Itália e em Portugal algumas oportunidades das PME já estão esgotadas e beneficiariam deste impulso", apontou Durão Barroso.

O presidente da Comissão observou todavia que é necessário serem os chefes de Estado e de Governo a assumirem a "liderança" deste processo, superando designadamente as "resistências burocráticas" nas suas próprias administrações públicas.

Reformas portuguesas são de "longo alcance"

O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, disse hoje que as reformas estruturais aplicadas em Portugal devido à crise da dívida soberana são de "longo alcance" mas os seus resultados "demorarão algum tempo a aparecer".

Dirigindo-se em Bruxelas aos líderes e chefes de Governo europeus, Barroso comparou as reformas portuguesas com as aplicadas atualmente em Itália, e lembrou o pacote de leis Hartz, adotadas pela Alemanha entre 2003 e 2005 e "parte da forte recuperação económica" que permitiu ao país posicionar-se hoje na linha da frente da economia europeia.

O primeiro Conselho Europeu do ano começou cerca das 15h30 de Bruxelas, menos uma hora em Lisboa, e as próximas horas dos líderes

europeus serão dedicadas ao crescimento e emprego nos Estados-membros da União Europeia (UE).

A agenda do encontro de hoje na capital belga, que devia inicialmente arrancar pelas 15h00, é dedicada ao crescimento e emprego, mas nela os chefes de Estado e Governo prosseguirão também a política de reforço da disciplina das contas públicas, com a aprovação do novo "pacto orçamental".