Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Banco Central da China corta taxa de juro

  • 333

FOTO PHILIPPE LOPEZ/AFP/Getty Images

A partir de 1 de março, desceram as taxas de juros para refinanciamento dos bancos e de remuneração de depósitos no banco central. Desinflação na segunda maior economia do mundo preocupa o banco central em Pequim.

O Banco Popular da China (BPC, banco central) comunicou no sábado que, a partir de hoje, 1 de março, as taxas diretoras de juros a 12 meses seriam cortadas em 25 pontos base, a segunda vez em três meses. A taxa de juro para refinanciamento a 12 meses baixa de 5,6% para 5,35% e a taxa de remuneração de depósitos a um ano no banco central de 2,75% para 2,5%. Em suma, o refinanciamento fica mais barato para as instituições financeiras chinesas, mas a remuneração dos seus depósitos nos cofres do banco central baixa.

A última mexida de corte, de 40 pontos base, havia sido comunicada em novembro do ano passado, e aconteceu ao fim de dois anos. O processo de desinflação entretanto ocorrido é a razão principal dos novos cortes na taxa de juro de refinanciamento dos bancos chineses e na taxa de remuneração de depósitos que as instituições financeiras parqueiam no banco central. Em janeiro de 2015, a taxa de inflação desceu para 0,8%, uma redução abrupta em relação à taxa de 1,5% em dezembro do ano passado. Desde novembro de 2009 que não se registava uma taxa de inflação abaixo de 1%.

O processo de desinflação ocorre num contexto de abrandamento da economia chinesa que fechou 2014 com um ritmo de crescimento anual de 7,4%, ligeiramente abaixo da meta do governo, e que deverá descer para menos de 7% em 2015, segundo as estimativas. O crescimento em 2014 foi o mais baixo dos últimos 24 anos. A China iniciou um processo de abrandamento económico com o intuito de realizar uma transição de modelo económico. Mas o banco central não quer ser surpreendido com uma aterragem forçada da segunda maior economia do mundo, e, por isso, quer o dinheiro a girar na economia.

O BPC prosseguiu, também, com o processo de permitir aos bancos chineses aumentar a remuneração aos seus depositantes, ampliando o máximo de 1,2 para 1,3 em relação à taxa diretora.

No início de fevereiro, para os grandes bancos, o banco central havia cortado em 50 pontos base o rácio para reservas obrigatórias, o que já não sucedia desde maio de 2012. O novo rácio ficou em 19,5%, o que libertou das reservas 600 mil milhões de yuans (o equivalente a 85,5 mil milhões de euros). Os analistas esperam novos cortes nesse rácio.

A decisão do banco central ocorre a três dias uteis do início da reunião anual da Assembleia Nacional Popular (o principal órgão legislativo) em Pequim. A reunião que pode durar de 10 dias a duas semanas inicia-se no mesmo dia em que o Banco Central Europeu reúne o seu conselho em Chipre e inicia o programa alargado de compra de dívida pública e privada.

A taxa diretora de refinanciamento fixada pelo Banco central chinês é a mais baixa entre os quatro grandes BRICS: 7,75% na Índia; 12,25% no Brasil; e 15% na Russia. 

A China junta-se, no começo de 2015, ao movimento de "alívio" monetário protagonizado também pela Austrália (corte de 25 pontos base em fevereiro), Canadá (corte de 25 pontos base em fevereiro), Índia (corte de 25 pontos base em janeiro), Indonésia (corte de 25 pontos base em fevereiro), Rússia (corte de 200 pontos base em janeiro), Suécia (corte de 10 pontos base em fevereiro, neste caso com a taxa diretora a descer para terreno negativo) e Turquia (corte de 25 pontos base em fevereiro).