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Aviões estão a voar mas trabalhadores vão ter 'voto' sobre o futuro da empresa

Aeroporto de Lisboa a funcionar normalmente no primeiro dia de requisição civil. Só três sindicatos mantém convocatória da greve

Lusa

Passageiros e voos não estão a ser afetados pela greve que hoje começa. Quem o diz são os nove de 12 sindicatos que desconvocaram a greve depois de as negociações com o Governo terem garantido direitos e 'uma palavra' sobre o futuro da transportadora aérea .

Manuela Goucha Soares com Lusa

A greve contra a privatização da TAP inicialmente convocada por 12 sindicatos para os dias 27, 28, 29 e 30 de dezembro não afetou nenhum voo nem passageiros, até ao final da manhã deste sábado apesar de os sindicatos nacionais dos Trabalhadores da Aviação Civil (SINTAC), do Pessoal do Voo da Aviação Civil (SNPVAC), e dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos (SITAVA) terem mantido a convocatória.

De acordo com uma nota enviada aos associados, com o assunto "Presente e Futuro", os nove sindicatos da TAP, que na quarta-feira desconvocaram o protesto, dizem que vai ser criado um conselho consultivo da empresa e que os trabalhadores da companhia aérea vão ter uma palavra a dizer nas decisões estratégicas.

Este nove sindicatos da TAP consideram que o acordo com o Governo foi "um ato de responsabilidade e de salvaguarda do futuro. Desde o início, que todos os sindicatos acordaram/concordaram (...) que havia um cenário em que teríamos que garantir os direitos daqueles que representamos".

As negociações com o Governo permitiram salvaguardar direitos nos acordos de empresa (conteúdo e validade), despedimentos coletivos, subcontratação ou externalização ilimitada das atividades do grupo, seguros e fundos de pensões, proteção das antiguidades, garantia da manutenção da sede e da base operacional (HUB), em território Português e salvaguarda da marca, TAP PORTUGAL, enumeram os sindicatos.

Seis milhões de euros de prejuízos

Na edição de hoje, o Diário de Notícias diz que a requisição ajudou a companhia aérea a recuperar parte das viagens que já tinham sido canceladas para a semana entre o Natal e o Ano Novo. Apesar disso, o prejuízo decorrente da convocatória de greve de quatro dias, ronda os "seis milhões de euros para a TAP. Até ao anúncio da greve, a companhia de bandeira contava 130 mil reservas para os dias 27, 28, 29 e 30. Com o pré-aviso colocado pela Plataforma sindical da TAP, os cancelamentos somaram-se, tendo caído 35 mil viagens, segundo dados cedidos pela companhia".

A TAP, de acordo com o DN, recuperou parte das reservas inicialmente canceladas, passando de 130 mil reservas iniciais para os dias de greve para "112 mil, perdendo 18 mil" viagens.

No já referido comunicado aos associados, os nove sindicatos da TAP que desconvocaram a greve, informam ainda que "ficou definido que até 31 de janeiro de 2015, os sindicatos e o conselho de administração da TAP, com a orientação do Governo, resolverão todas as disputas interpretativas em curso no domínio dos Acordos de Empresa, de todas as empresas do grupo", acrescentam.

De fora deste aparente acordo como o Governo estão os sindicatos nacionais dos Trabalhadores da Aviação Civil (SINTAC), do Pessoal do Voo da Aviação Civil (SNPVAC) e o do Trabalhadores da Aviação e Aeroportos (SITAVA), que mantiveram pré-avisos de greve, depois de os restantes nove sindicatos terem anunciado, na quarta-feira, a desconvocação da paralisação.