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Auditoria confirma investigação do Expresso: dinheiros de Angola transferidos para Salgado, Morais Pires e Sobrinho

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FOTO Paulo Alexandrino

Deloitte refere-se explicitamente a notícias que revelaram dinheiros transferidos e créditos concedidos pelo BES Angola a empresas detidos por administradores do BES. Em causa estão offshores atribuídas a Ricardo Salgado, Amilcar Morais Pires e Álvaro Sobrinho.

Pedro Santos Guerreiro e Filipe Santos Costa

"No âmbito da análise efectuada a movimentos a débito (de saídas de fundos) ocorridos nas contas de depósitos à ordem do BESA junto do BES no período entre 1 de janeiro de 2010 e 30 de junho de 2014, foram identificadas situações que, de acordo com os detalhes das mensagens de SWIFT obtidas, tinham como beneficiário (i) entidades relacionadas com o BES e (ii) entidades mencionadas nos meios de comunicação social como tendo ligação a responsáveis do BES e/ou BESA".

Este parágrafo está escrito na segunda parte da auditoria forense ao BES, exclusivamente dedicado a Angola. E confirma a notícia do Expresso do ano passado que relacionava dinheiros pagos pelo BESA a sociedades atribuídas a administradores, nomeadamente Ricardo Salgado e Amílcar Morais Pires, bem como a créditos que terão sido concedidos à Pineview Overseas, de Álvaro Sobrinho, empresa dona do jornal Sol em Portugal.

A 28 de junho de 2014, altura em que Ricardo Salgado ainda tentava controlar a sua sucessão, que pretendia que fosse entregue a Morais Pires. o Expresso publicou em manchete que "entre o final de 2009 e julho de 2011, o Banco Espírito Santo Angola (BESA) fez 12 transferências para duas contas no Crédit Suisse, num total de 27,3 milhões de dólares, em que terão sido beneficiários o presidente demissionário do Banco Espírito Santo (BES), Ricardo Salgado, e pelo menos o administrador-executivo por ele apontado para lhe suceder no cargo, Amílcar Morais Pires."  

O Expresso tinha então tido acesso a documentos que mostravam que as contas estavam em nome de duas sociedades com sede no Panamá, a Savoices e a Allanite. As duas sociedades haviam sido identificadas no caso Monte Branco.

"A investigação em curso descobriu que estas empresas estão entre a lista de clientes da Akoya, empresa de gestão de fortunas em Genebra e peça central no caso sobre suspeitas de fraude fiscal e branqueamento de capitais. A Savoices estava ligada a Ricardo Salgado, enquanto a Allanite terá como um dos beneficiários Morais Pires, confirmou o Expresso junto de fontes ligadas ao processo", noticiava então o Express. "Ao longo de um ano e meio, o BESA enviou 13,8 milhões de dólares para a Savoices e 13,5 milhões de dólares para a Allanite."

Contactados então, Ricardo Salgado e Morais Pires nunca quiseram justificar a razão destes dinheiros.