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Assembleia Geral do BPI. Isabel dos Santos e CaixaBank medem forças

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sta seria mais uma Assembleia Geral rotineira e pacífica da comunidade BPI, se a inclusão de um ponto na ordem de trabalhos não convocasse o episódio da OPA em curso, provocando o choque entre os dois principais acionistas - a catalã CaixaBank (44%), que lançou a OPA, e a Santoro, de Isabel dos Santos, (18,6%) que em alternativa defende a fusão com o BCP

Nuino Fox

Votar já ou adiar a desblindagem dos estatutos, eis questão que animará a sessão desta manhã. Batalha jurídica em perspetiva.

Abilio Ferreira

Os acionistas do BPI vai reunir-se esta manhã em Serralves, no Porto. Deverá estar representado perto de 85 % do capital e a afluência, superior a ocasiões anteriores, estará longe de esgotar os 250 lugares do auditório.

O BPI conta com 21 mil pequenos acionistas que partilham 12% do capital e 500 institucionais.

Esta seria mais uma Assembleia Geral (AG) rotineira e pacífica da comunidade BPI, se a inclusão de um sétimo ponto na ordem de trabalhos não convocasse o episódio da OPA (Oferta Pública de Aquisição) em curso, provocando o choque entre os dois principais acionistas - a catalã CaixaBank (44%), que lançou a OPA, e a Santoro, de Isabel dos Santos, (18,6%) que defende a fusão com o BCP, em alternativa à OPA.

Duas visões em confronto

A Santoro leva à votação a desblindagem dos direitos de voto, limitados pelos estatutos a 20% (uma condição imposta pelo CaixaBank para o sucesso da OPA) para tentar "matar" já hoje a OPA  e libertar o BPI de um espectro que lhe condiciona a atividade. E impede o banco de encarar a proposta de fusão com o BCP. A desblindagem precisa de uma maioria qualificada (75%) só possível com o apoio de Isabel dos Santos.

Mas o Caixabank tem outra estratégia e pretende ganhar tempo. Considera "prematuro" os acionistas alterarem os estatutos sem terem "informação suficiente" nem o prospeto da OPA estar aprovado. Na sua agenda, a AG especial para apreciar a desblindagem será convocada em junho, depois da OPA estar registada. Por isso, a CaixaBank apresentará na AG de hoje uma proposta para que o ponto sete seja retirado.

Litigância jurídica

Estas visões opostas estarão no centro desta reunião e conduzirão, por certo, a litigância jurídica.

A proposta do CaixaBank  para retirar o ponto da ordem de trabalhos precisa de um maioria simples ou qualificada para se aprovada?

A Santoro, soube o Expresso, defende que precisa de maioria qualificada e não se conformará se o presidente da mesa, Miguel Veiga, decidir de outra forma. O Caixabank contará com o apoio da Allianz (8,4%) e, no cenário da maioria simples, a sua tese de adiar a discussão poderá fazer vencimento. O núcleo português (Violas, Arsopi, Auto Sueco, etc.) que representa perto de 8% estará do lado da Santoro, mas os seus votos poderão não ser suficientes para impedir a retirada da votação da desblindagem.

O CaixaBank oferece 1,329 euros por cada ação do BPI - esta terça-feira fecharam a valer 1,44 euros.  Para o conselho de administração do BPI, o valor justo é 2,26 euros.

Se, como tudo indica, a integração do BPI no CaixaBank falhar. entra em ação o cenário de fusão com o BCP.  A Santoro já explicou que a sua intenção "é criar o maior banco privado português", replicando no sistema bancário "o sucesso obtido no sector das telecomunicações com a fusão entre a Zon e a Optimus de que resultou a NOS".

O futuro do BPI balança entre a estratégia catalã do seu maior acionista e a estratégia angolana de Isabel dos Santos e da Sonangol, acionista do BCP.