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As tecnológicas que resistem à derrocada bolsista

Apesar de duas crises bolsistas desde março de 2000, as tecnológicas mostraram resiliência na última década e catapultaram uma das filhas do Nasdaq, a Apple, para a liderança da capitalização bolsista nos Estados Unidos, destronando a Exxon dos petróleos.

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A "guerra" da Apple contra a Exxon pelo primeiro lugar na capitalização bolsista nos Estados Unidos tem sido um dos pratos fortes da crise mais recente. A empresa do Silicon Valley fundada por Steve Jobs voltou a ultrapassar a "rainha" dos petróleos no primeiro lugar.

Na cotação de sexta-feira, a Apple apresentava uma capitalização bolsista de 374, 82 mil milhões de dólares (1,6 vezes o PIB de Portugal em 2010) e a Exxon um valor de 336,99 mil milhões de dólares.

Entre as 20 maiores capitalizações bolsistas nos Estados Unidos destacam-se hoje em dia 6 empresas cujas ofertas públicas iniciais (IPO, no acrónimo em inglês) ocorreram no Nasdaq, a bolsa das tecnológicas sedeada em Times Square, em Nova Iorque - Apple, Microsoft, Google, Oracle, Intel e Cisco.

O segundo maior crash

O Nasdaq já sofreu duas crises bolsistas desde a sua criação em 1971. Para alguns historiadores, a primeira, iniciada no ano 2000, foi a verdadeira precursora da grande crise financeira do final da década e custou 6 biliões de dólares (cerca de €5500 mil milhões ao câmbio médio do período entre 2000 e 2002), 1/5 do custo da crise financeira de 2007 a 2009.

O filme é conhecido: depois de um pico atingido em março de 2000, o índice das tecnológicas caiu 76% até setembro de 2002. O segundo maior crash da história americana, depois do mais famoso de 1929 a 1932, que rebentou a escala com mais de 89% de derrocada.

A segunda crise do Nasdaq acompanharia a grande crise financeira recente de Wall Street - o índice quebrou 54% entre outubro de 2007 e março de 2009. Em termos de comparação, o índice Dow Jones caiu, no mesmo período, 53,78%, um valor idêntico.

Depois destas duas crises, o índice das tecnológicas está, ainda, 50,8% abaixo do máximo histórico atingido em 10 de março de 2000. Os "velhos tempos" da euforia das "dot.com" não regressaram mais. Mas encontra-se 103% acima do mínimo histórico de 20 de setembro de 2002 e 92% acima do mínimo mais recente em 6 de março de 2009. [Valores até 23 de setembro de 2011].

Uma situação que não é desconfortável, apesar do pessimismo militante atual.

Campeões da resiliência

Apesar das derrocadas ocorridas, o Nasdaq revelou um grupo de topo resiliente que soube aproveitar a vaga de financeirização desde os anos 1990.

A Apple é um dos exemplos de resiliência no sector das tecnológicas, refere-nos Peter Cohan, um dos autores norte-americanos que acompanhou a emergência das novas tecnologias desde a "bolha" dos anos 1990. Mas o especialista de Boston sublinha, também, o caso da Amazon: "O seu fundador é ainda hoje o CEO, sem interrupções, e é uma das empresas que melhor se adaptou às mudanças".

A Apple e a Amazon têm uma particularidade na evolução da sua valorização bolsista, a de terem uma curva claramente ascendente desde a sua entrada no Nasdaq - a Apple em 1980 e a Amazon em 1997. A primeira valorizou-se quase 11.000 % e a segunda quase 13.000%. Peter Cohan acrescenta, ainda, nas resilientes com um perfil de crescimento ascendente, a Oracle, que se valorizou mais de 41.000% desde a entrada em bolsa em 1986, e a eBay, que se valorizou mais de 1.500% desde 1998. [Valorizações até 14 de setembro de 2011]

A "estrela" mais recente é, sem dúvida, a Google. Valorizou-se mais de 390% desde a oferta pública inicial em 2004 e apesar de jovem já se encontra entre as 10 maiores capitalizações bolsistas dos EUA.

Perfil "japonês"

Há, ainda, outras resistentes nas listas cimeiras do Nasdaq, e que se encontram nas 20 maiores capitalizações bolsistas norte-americanas, como a Cisco (que é a campeã do aumento de capitalização desde a entrada em bolsa em 1990, mais de 42.000%), a Microsoft (com uma valorização superior a 26.000% desde 1986) e a Intel (com uma valorização de mais de 17.000% desde 1978).

Mas o perfil de evolução da valorização em bolsa destas tecnológicas aproxima-se do tipo "japonês" - depois de um pico, observa-se nitidamente um comportamento em "L". Ou seja, apesar de oscilações em alta em períodos de "bolha", o valor não sobe significativamente, parecendo não conseguir furar um teto, como ocorre com o caso de antologia do índice Nikkei 225 da bolsa de Tóquio desde há 19 anos.

Artigo adaptado e ampliado da edição impressa de 18/09/2011