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António Borges (FMI): BRICS podem entrar nas privatizações em Portugal

O "exemplo óbvio" do que as potências emergentes do grupo conhecido por BRICS podem fazer por Portugal é olharem para as oportunidades do plano de privatizações.

Jorge Nascimento Rodrigues (www.expresso.pt)

O tema do que os BRICS (acrónimo para o grupo de grandes potências formado pelo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) podem fazer pela Europa em crise de dívida foi muito badalado na reunião do Fundo Monetário Internacional (FMI) que decorreu ontem e hoje em Washington DC, nos Estados Unidos.

Na conferência de imprensa, após a reunião, realizada pelo português António Borges, o chefe do Departamento Europeu do FMI, referiu-se explicitamente ao caso português. "Sobre o que os BRICS podem fazer ou não por Portugal, há um exemplo óbvio de como os BRICS podem ajudar. Portugal tem um plano de privatizações em curso, que muito apoiamos, e que poderá ter um grande impacto na eficiência da economia. Nós compreendemos que as empresas brasileiras utilizem esta oportunidade para entrarem na Europa, e se isso acontecer, creio que será muito, muito bem vindo".

BRICS são "conservadores prudentes"

Antes António Borges tinha explicado a forma de atuar dos BRICS, para quebrar algumas ilusões em voga, sobre a vinda destes "salvadores" à zona euro, tirar os aflitos de apuros, ilusão que foi muito alimentada, recentemente, pelos italianos.

"Na realidade estes países [os BRICS], ainda que sejam muito ricos em termos de capital acumulado, são, também, muito conservadores, e não gostam de gastar mal o seu dinheiro. Por enquanto, consideram que os títulos do Tesouro norte-americano são os activos mais seguros, por isso estão a investir desproporcionadamente neles", afirmou Borges.

Por isso "ainda não aconteceu" o interesse pelos títulos soberanos europeus dos países em apuros. "E não aconteceu porque estes países são prudentes, muito, muito prudentes, na realidade, são investidores muito cautelosos".

Olhos no "ativos reais" e não em "papeis"

Para os atrair, o único caminho, frisou Borges, é "criar as condições que os levem a considerar que é no seu próprio interesse investirem na Europa, e é por isso que talvez requeira mais esforços".

Resumindo a sua explicação sobre a estratégia dos BRICS, António Borges concluiu: "Dito isto, uma área onde se pode esperar que estes países sejam arrojados é a da aquisição de ativos , de ativos reais, de empresas, por vezes, o que eles consideram empresas estratégicas".