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Álvaro Sobrinho: "Assumo toda a responsabilidade das minhas decisões no BESA"

Antigo presidente do BES Angola responde estar tarde perante a comissão parlamentar de inquérito ao caso GES

Luís Barra

"Durante os dez anos que estive à frente do BES Angola mantinha-me informado sobre tudo o que lá se passava. Assumia as minhas decisões", afirmou Álvaro Sobrinho, na sua intervenção inicial na comissão de parlamentar de inquérito (CPI) do GES/BES.

Anabela Campos e Isabel Vicente

O ex-presidente do BES Angola (BESA), um dos nomes mais visados nas anteriores audições da comissão parlamentar de inquérito, disse na sua intervenção inicial que assume a responsabilidade de tudo o que se passou no banco quando presidia a instituição.

Álvaro Sobrinho, que saiu do BESA em dezembro de 2012, assegura: "Assumo toda a responsabilidade das minhas decisões".

O gestor angolano, escolhido para a liderança do BESA por Ricardo Salgado, firmou que não iria "achincalhar ninguém", nem responder a matéria que seja objeto de sigilo bancário em Angola. "Falarei de tudo que for do meu conhecimento pessoal e direto", mas, diz, irá abster-se de fazer comentários sobre o que tem sido noticiado sobre si.

Questionado pela deputada do CDS, Cecília Meireles, sobre como era concedido o crédito no BESA, Álvaro Sobrinho diz que não tomava decisões sozinho, e que ele era dado de forma colegial, como normalmente acontece na banca. 

O ex-presidente do BES, Ricardo Salgado, assumiu na sua intervenção na CPI que tinha sido um "erro" convidar Sobrinho para a liderança do BESA. Álvaro Sobrinho foi o primeiro presidente do BESA, banco lançado em 2001.

Da linha de crédito de 3,6 mil milhões de dólares ( cerca de 3 mil milhões de euros) do BES ao BESA no final de2012, 1,5 mil milhões de dólares foi para investir em dívida soberana angolana e o restante para apoiar empresas portuguesas, explicou Álvaro Sobrinho. "O dinheiro não saiu para o BESA", sublinhou. E insistiu: "Os 3 mil milhões nunca sairam do BES". Até porque, explicou. "O BES era o único banco correspondente que o BESA tinha". 

Sobrinho, proprietário do jornal i e Sol, foi substituído por Rui Guerra no início de 2013. O advogado de Álvaro Sobrinho é Rogério Alves, e está presente na CPI.