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Alta Velocidade criará 36 mil empregos no turismo em 2030

A consultora Deloitte diz que a rede portuguesa de Alta Velocidade ferroviária dará um contributo favorável ao turismo nacional e defende que a promoção de Portugal e Espanha deve ser feita conjuntamente em mercados longínquos.

J. F. Palma-Ferreira (www.expresso.pt)

Cerca de 36 mil novos empregos e €553 milhões de valor acrescentado são os impactes que o projecto português de Alta Velocidade ferroviária terá, em 2030, no sector do turismo nacional, refere um estudo da consultora Deloitte a que o Expresso teve acesso e que será hoje apresentado na BTL - Bolsa de Turismo de Lisboa e debatido pelo ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, António Mendonça.

Segundo o "Estudo sobre o Impacto da Rede de Alta Velocidade no Turismo Nacional", que foi acompanhado pela Confederação do Turismo Português (CTP), e promovido pela Rede Ferroviária de Alta Velocidade (RAVE), estima-se que, em 2015, o valor acrescentado gerado pelo turismo, resultante da entrada em funcionamento da Alta Velocidade ferroviária, ascenderá a cerca de €57 milhões, aumentando para cerca de €553 milhões em 2030.

O estudo conclui também que a Alta Velocidade poderá gerar mais 770 milhares de hóspedes e cerca de dois milhões de dormidas em 2030, contribuindo para o crescimento de um dos sectores considerados estratégicos para a economia nacional.

Mercado de 58 milhões de consumidores

Por outro lado, o estudo considera que a Alta Velocidade contribuirá para melhorar a atractividade de Portugal como destino. Observa igualmente que, em termos de mercado interno alargado, a Alta Velocidade poderá servir 58 milhões de consumidores ibéricos.

Nos 15 anos que decorrerão entre 2015 e 2030, a consultora Deloitte prevê que o número de excursionistas que Portugal vai captar com a Alta Velocidade aumentará de 450 mil para 4,5 milhões de indivíduos.

Combater polarização nos centros urbanos

Contudo, a Deloitte alerta para a necessidade de Portugal combater alterações que serão induzidas pela Alta Velocidade, designadamente a previsível polarização do turismo nos grandes centros urbanos.

Considera ainda que a aposta em produtos turísticos diferenciadores ou complementares face ao turismo em Espanha revelar-se-á um factor determinante para potenciar as oportunidades criadas pela rede de Alta Velocidade no turismo nacional.

Novas centralidades ibéricas

O trabalho da Deloitte apresenta como principais recomendações estratégicas e de marketing a adaptação do Plano Estratégico Nacional de Turismo, tendo em vista o novo conceito de mobilidade em Portugal e a promoção da integração do projecto de Alta Velocidade à escala nacional.

Defende ainda o desenvolvimento de um plano de marketing estratégico e operacional de proximidade ibérica, com definição de um conceito ibérico com centralidades em Lisboa, Porto, Madrid e Barcelona onde se discuta o papel de cada cidade nesta nova realidade.

Recomenda, igualmente, o desenvolvimento de um plano de marketing turístico para as regiões directamente servidas pela Alta Velocidade, e a elaboração de um plano de desenvolvimento das infra-estruturas complementares e de suporte à actividade turística, que permita fazer face ao crescimento previsto (número de visitantes, número de dormidas, refeições, efeito preço na cadeia de valor).

Promoção conjunta de Portugal e Espanha

A consultora considera que deve ser feita a promoção conjunta de Portugal e Espanha nos mercados longínquos, com especial destaque para aqueles que utilizam o Aeroporto de Madrid como hub aeroportuário para entrarem na Europa e também propõe a adequação dos serviços nacionais (restauração, hotelaria e outros) ao perfil do turista espanhol.

Do lado dos agentes do sector do turismo, a Deloitte propõe uma articulação mais eficaz entre as entidades gestoras dos destinos e os agentes privados, a criação por parte das agências de viagens de produtos turísticos adaptados ao novo conceito de mobilidade e procura nacional, bem como o desenvolvimento de parcerias entre os operadores turísticos nacionais e espanhóis e a adequação do produto e da política de pricing aos novos segmentos de mercado.

Em relação ao sector dos transportes, a consultora defende a que a promoção do operador do serviço ferroviário da Alta Velocidade seja associada a actividades turísticas.

Aponta ainda para a necessidade da adopção de políticas de pricing que favoreçam a visita turística às regiões e cidades intermédias, a oferta de serviços Web, de comunicação e informação nas estações servidas pela Alta Velocidade e a articulação e adaptação da Alta Velocidade com os vários modos de transporte em Portugal e Espanha, tendo como foco principal o perfil e as necessidades do utilizador final.