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Ainda a Grécia: Eurogrupo desmente ministro espanhol. Em causa: dinheiro e 3º resgate

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De Guindos fala na existência de negociações para novo resgate à Grécia, Eurogrupo nega

EPA

Ministro espanhol avançou com detalhes sobre um terceiro resgate à Grécia e até precisou montante da participação espanhola. Eurogrupo reagiu e negou.

Raquel Pinto

Raquel Pinto

Jornalista

Terá o ministro da Economia de Espanha falado do que não sabe ou falado demasiado cedo? Em Pamplona, Luis de Guindos referiu-se a negociações de um terceiro pacote de resgate à Grécia e avançou com números. O montante em cima da mesa rondará entre "30 mil milhões e 50 mil milhões de euros". A mensagem pública levou a um comunicado do Eurogrupo a garantir que o assunto não está a ser discutido.

Num fórum económico no norte de Espanha, Luis de Guindos disse que "a Grécia não sairá da zona euro". Seria uma situação "muito má" para a União Europeia. Com um novo resgate na calha, segundo o próprio governante, Espanha "irá assegurar entre 13% a 14%" do montante a ser atribuído, noticiou o diário económico "Expansión".  O ministro salientou ser "fundamental" que a Grécia volte ao crescimento depois de ter perdido 25% do PIB durante a crise.

As declarações do ministro espanhol obrigaram a um esclarecimento por parte do Eurogrupo. "Os ministros das Finanças da zona euro não estão a discutir um terceiro resgate", assegurou Simone Boitelle, a porta-voz do presidente Jeroen Dijsselbloem, adianta a Reuters.

"Nem Espanha nem Portugal foram os mais duros" 

De Guindos e a ministra portuguesa das Finanças, Maria Luís Albuquerque, são alvos de críticas do chefe do governo helénico, Alexis Tsipras, que no sábado acusou Portugal e Espanha de serem "forças conservadoras agressivas" e de formarem um "eixo de poderes" contra a Grécia. 

A este propósito, e perante os participantes do fórum, o ministro espanhol rejeitou a versão grega: "Posso assegurar-vos que, no Eurogrupo, nem Espanha nem Portugal foram os mais duros". Aliás, não entende as críticas, já que a abordagem feita pelo seu país pauta-se pela "colaboração, solidariedade e flexibilidade".

No poder desde 25 de janeiro, Tsipras referiu no fim de semana que a estratégia e o compromisso eleitoral do seu executivo estará já a gerar preocupações noutros países, nomeadamente em Espanha, com a subida de popularidade do partido anti-austeridade Podemos nas sondagens. As acusações de Tsipras levaram Portugal e Espanha a enviarem uma carta às presidências da Comissão Europeia e do Conselho Europeu.  

O primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, já tinha reagido no domingo às acusações de Tsipras, respondendo que Espanha "não é responsával pela frustração gerada" pelo novo Governo helénico, "que prometeu ao povo grego aquilo que sabia que não poderia cumprir".