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Afinal, o futuro do Atlântida pode não ser a Amazónia. Douro Azul tem outros "desafios aliciantes"

José Ventura

Mário Ferreira pagou em setembro passado 8,75 milhões de euros pelo navio dos Estaleiros de Viana. Agora, está na iminência de vendê-lo. As obras de reconversão já pararam. A "qualidade técnica" não passou despercebida a operadores internacionais. Qual será o destino? Noruega, Antártida, costa oeste de África e Malta estão na calha.

A empresa Douro Azul anunciou, hoje, que está a equacionar a venda do 'ferryboat' Atlântida tendo parado as obras de reconversão do navio para cruzeiros de luxo e que deveria ter a Amazónia como destino.

Em comunicado enviado à Lusa, a empresa afirmou ter "em carteira, vários desafios e alternativas válidas para o Atlântida para operar em águas internacionais, seja numa operação típica de ferry, seja no apoio a plataformas petrolíferas".

Segundo a empresa presidida por Mário Ferreira, a Noruega, Antártida, costa oeste de África e Malta são os destinos possíveis para o navio construído nos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC).

"A qualidade técnica e operacional do navio Atlântida não passou despercebida a vários operadores internacionais que contactaram a Douro Azul no sentido de, em parceira ou individualmente, darem um novo destino à embarcação", afirmou o empresário, citado na nota enviada à imprensa.

O navio foi comprado em setembro passado, através de concurso público internacional, pela Mystic Cruises, do grupo Douro Azul (cruzeiros turísticos) por 8,75 milhões de euros.

"Desde que adquirimos o navio pudemos fazer uma análise profunda e rigorosa ao Atlântida e, perante as oportunidades que entretanto se colocaram, chegámos à conclusão que não fazia sentido proceder a obras profundas de reconstrução, desvirtuando uma embarcação com tanta qualidade técnica e tanta procura", adiantou.

A alteração de planos, justificou a empresa, fica a dever-se às "inúmeras solicitações" de operadores internacionais.

"Mediante as inúmeras e aliciantes propostas que me chegaram, por parte de operadores internacionais, tivemos que repensar o futuro do Atlântida e estamos agora numa fase de apreciação das propostas concretas de operação que tanto podem envolver a Douro Azul na continuidade da operação ou não. A opção é nossa mas existem condições para que a internacionalização da Douro Azul possa sair reforçada", disse.

A empresa adiantou que vai "repensar o seu projeto turístico para a Amazónia", mas assegurou que mantém "a intenção de operar no maior rio do Mundo, entre Manaus, no Brasil, e Iquitos, no Perú, numa distância de dois mil quilómetros, logo que esteja operacional um novo navio-hotel".

"A opção de operação do Atlântida em outras paragens não implica o final do projeto da Mystic Cruises, operadora de cruzeiros do Grupo Douro Azul, na Amazónia, que regressa ao modelo original com uma embarcação construída de raiz, preferencialmente em Portugal", lê-se no comunicado da Douro Azul.

O navio "Atlântida" foi encomendado pelo Governo dos Açores, que depois o rejeitaria em 2009 devido a um nó de diferença na velocidade máxima contratada.

Em outubro passado o navio deu entrada nos estaleiros da West Sea, subconcessionária dos terrenos e infraestruturas dos ENVC, para obras de reconversão orçadas em seis milhões de euros.

A intervenção agora travada deveria estar concluída em outubro de 2015, mês em que a Douro Azul anunciou a partida do navio para o Brasil, onde teria a sua primeira viagem comercial agendada para 02 de janeiro de 2016.