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"A ideia de que mandei uma boia de €900 milhões para salvar o dr. Salgado, que se estava a afundar, é romântica mas falsa"

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FOTO MARCOS BORGA

Henrique Granadeiro diz que nunca combinou qualquer operação com Ricardo Salgado e só assume a responsabilidade pela renovação de 200 milhões de euros de aplicações na Rioforte. "Eu não intervim na decisão da aplicação de 697 milhões de euros. A responsabilidade tem de ser encontrada noutros responsáveis." E sugere que Zeinal Bava tinha de saber.

Anabela Campos

"Nunca combinei com o dr. Ricardo Salgado nenhuma operação, nunca fiz nenhum negócio com ele. Costumávamos falar sobre estratégia", disse Henrique Granadeiro na comissão parlamentar de inquérito (CPI) ao colapso do BES, esta quarta-feira.

Henrique Granadeiro admitiu na CPI, no entanto, que terá sido abordado por Ricardo Salgado, em fevereiro de 2014, para que fossem mudadas, no âmbito da reestruturação do grupo Espírito Santo, as aplicações da PT da ESI para a Rioforte. E explicou que pediu ao ex-banqueiro para falar com o administrador financeiro da PT (CFO), Luís Pacheco de Melo, e lhe explicar o porquê das mudanças, já que era ele que tratava das questões financeiras. A passagem da ESI para a Rioforte estava relacionada com as alterações no GES pedidas pelo Banco de Portugal, ter-lhe-á dito Salgado.

"Penso que Ricardo Salgado me terá dito que era preciso mudar as aplicações da ESI para a Rioforte e eu reencaminhei-o para o CFO. E creio que o próprio Ricardo Salgado lhe terá explicado as vantagens de passar para a Rioforte", disse o gestor. 

Granadeiro afirmou que não era verdade que tivesse combinado as aplicações na Rioforte com Ricardo Salgado, como terá dito Amílcar Morais Pires na auditoria da PricewaterhouseCoopers (PwC). O administrador financeiro do BES explicou à PwC que Salgado lhe terá dito que as aplicações de 897 milhões de euros da PT na Rioforte tinham sido combinadas com Granadeiro e Zeinal Bava. Esta quarta-feira, Henrique Granadeiro desmentiu: "Eu nunca negocei nada com Amílcar Morais Pires". "A ideia de que mandei uma boia de 900 milhões para salvar o dr. Ricardo Salgado, que se estava a afundar, é romântica mas é falsa", diz ainda Henrique Granadeiro. 

"Eu não intervim na decisão da aplicação de 697 milhões de euros. A responsabilidade tem de ser encontrada em outros responsáveis", afirmou o ex-presidente da PT SGPS. Henrique Granadeiro voltou a reafirmar que é responsável pela renovação de 200 milhões de euros de aplicações na Rioforte, mas sublinhou que os restantes 697 milhões foram aplicados pela PT Portugal, que já tinha em abril o "cash crowding" dos bancos com que a PT trabalhava e a gestão de tesouraria. 

"Na minha convicção, as aplicações de 697 milhões de euros na Rioforte foram tomadas no âmbito da PT Portugal e com um CFO que era o mesmo na PT SGPS e na PT Portugal. Não sei como se pode dividir ao meio um CFO", disse Henrique Granadeiro, sugerindo que o presidente da PT Portugal, Zeinal Bava, teria de saber.

Granadeiro disse ainda desconhecer a existência de qualquer acordo secreto entre Ricardo Salgado e os acionistas brasileiros da Oi, para que estes mantivessem as aplicações na Rioforte,  como sugeriu o ex-presidente do BES, num email enviado a Sérgio Andrade.