Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

A economia portuguesa em 2015, segundo os patrões da indústria

O presidente da Associação Empresarial Portuguesa cita vários ramos de atividade em crescimento: os recursos ligados à economia do mar, ao azeite, aos vinhos, aos agroalimentares, aos sectores industriais "ditos tradicionais", como o calçado, têxtil ou mobiliário

Rui Duarte Silva

Os presidentes da CIP, AEP e AIP concordam que o motor da economia está nas empresas exportadoras.

António Saraiva (CIP), Paulo Nunes de Almeida (Associação Empresarial de Portugal) e José Eduardo Carvalho (AIPortuguesa) concordam que o motor da economia portuguesa em 2015  está nas empresas exportadoras  e nos sectores de bens transacionáveis. Mas há ameaças no horizonte.

O presidente da CIP, António Saraiva,  lembra "que os verdadeiros motores da economia são as empresas, sobretudo as que neste enquadramento de difícil acesso ao financiamento e de quase estagnação do mercado da União Europeia têm conseguido registar crescimento e criação de emprego".

O crescimento da economia portuguesa deverá continuar "a ser impulsionado pelos setores produtores de bens e serviços transacionáveis que consolidando posições e explorando nichos de mercado em mercados maduros ou iniciando-se em novos mercados emergentes, se tornarão forçosamente mais competitivos", acrescenta o empresário.

 

Valorizar recursos endógenos

Paulo Nunes de Almeida concorda: "A estratégia de crescimento não pode estar dissociada de uma orientação para os sectores produtores de bens e serviços transacionáveis". É o caminho certo "para fomentar exportações, substituir  importações, incorporar valor acrescentado, valorizar os nossos recursos endógenos e, por essa via, gerar riqueza e emprego".

O presidente da AEP cita três ramos de atividade: os recursos ligados à economia do mar, ao azeite, aos vinhos, aos agroalimentares, aos sectores industriais "ditos tradicionais", como o calçado, têxtil ou mobiliário. Estes sectores "têm evoluído para segmentos de maior valor acrescentado, incorporando I&D, marketing ou design. Mas, Paulo  Nunes de Almeida reconhece também "os contributos francamente positivos dos sectores de capital intensivo, como a metalurgia ou o material elétrico, sem esquecer o crescimento dos serviços - em especial, o turismo e as indústrias criativas".

O presidente da AIPortuguesa não antecipa "alterações significativas na importância relativa dos vários sectores da economia". As empresas exportadoras de bens e serviços "deverão acentuar o seu peso relativo e deverá haver alguma recuperação ao nível do mercado interno", admite José Eduardo Carvalho.

Em termos de investimento estrangeiro, o empresário diz que os sectores mais sedutores serão" o financeiro, transportes, turismo, imobiliário e agroindústria".    

 

Riscos financeiros e internacionais

No domínio dos riscos que ameaçam a economia portuguesa, António Saraiva revela preocupação com "os desenvolvimentos recentes no sistema financeiro decorrentes da crise do BES" que poderão agravar as já difíceis condições de financiamento das PME viáveis".

Na frente externa, os riscos residem "na evolução mais desfavorável da economia europeia, que se refletirá nas exportações e no investimento".

Para Paulo Nunes de Almeida, a grande incógnita reside "na evolução do preço do petróleo" que pode afetar as exportações para países como Angola, Médio Oriente ou Rússia", apesar de ter um efeito favorável "no preço dos combustíveis importados".

E José Eduardo Carvalho assinala "o baixo crescimento do mercado em muitos países clientes das empresas portuguesas agravado pela evolução dos preços e a instabilidade e conflitos em várias regiões, que influenciam negativamente as exportações de muitas empresas".