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A culpa não morre solteira, mas está em suspenso

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José Caria

Zeinal Bava diz que não sabia do investimento na Rioforte, Granadeiro assume parte da culpa e Pacheco de Melo envolve o ex-presidente da PT SGPS.

Anabela Campos e João Ramos

É o jogo do empurra. Quem mandou aplicar os fatais €897 milhões na Rioforte em abril de 2014, um investimento que fragilizou a PT e minou a fusão da operadora portuguesa com a Oi? Quem sabia? Porque tinha a PT aplicado mais de 50% do seu excedente de tesouraria nas empresas do grupo Espírito Santo (GES) e no BES a partir de 2007, um valor que chegou aos 80% em 2013? As dúvidas permanecem depois de terem sido ouvidos na comissão parlamentar de inquérito do BES os dois ex-presidentes, Zeinal Bava e Henrique Granadeiro, e o ex-administrador da PT SGPS e da PT Portugal, Luís Pacheco de Melo, o homem que tinha de deixar a sua assinatura nas aplicações de tesouraria, operações de centenas de milhões de euros, feitas praticamente sem base documental.  

Uma coisa para já é óbvia: os altos responsáveis da PT e ex-presidentes da operadora, Zeinal Bava e Henrique Granadeiro, sacodem as responsabilidades de cima ou grande parte delas. Bava, ex-presidente da Oi e da PT Portugal, refugiando-se nas falhas de memória, diz que não sabia de nada, nem tinha de saber, porque estava a 10 mil quilómetros de distância, no Brasil. Granadeiro, ex-presidente da PT SGPS, assegura que só foi responsável por aplicações de €200 milhões na Rioforte, dizendo que o resto, €697 milhões, foi investido pela PT Portugal, então presidida por Zeinal Bava. É a versão de um contra a do outro, que têm datas distintas para a passagem da tesouraria da PT SGPS para a PT Portugal, Zeinal diz que foi a 5 de maio de 2014, e Granadeiro aponta para 10 de abril. As aplicações na Rioforte foram feitas a 15 e 17 de abril. 

Leia mais na edição deste fim de semana.