Siga-nos

Perfil

Economia

Vencedores

Otis é empresa do ano

Numa altura em que o sector da construção civil está em crise, a chave do resultado assentou no rigor da gestão, no serviço e na capacidade de inovar.(Clique no índice no final do texto para aceder às tabelas e ranking das 500 Maiores & Melhores Empresas)

José Miguel Dentinho (www.exame.expresso.pt)

Domingos Oliveira trabalha há 30 anos na empresa. Começou num dos degraus de baixos, no armazém. Foi vendedor, delegado de área e é, há sete anos, o diretor-geral da Otis em Portugal. Conhece como ninguém a empresa e é fiel depositário, em Portugal, dos fundamentos e filosofia desta multinacional com 150 anos de existência. É um entusiasta do "seu" produto e da "sua" casa e aposta nos colaboradores. A ascensão que teve na companhia de elevadores e os resultados que tem alcançado ao longo dos anos, dizem dele que é o homem certo no lugar certo. Com um resultado líquido superior a 19 milhões de euros, o ano passado, e uma rentabilidade do ativo de quase 20%, a Otis Elevadores foi a melhor empresa do seu sector de metalomecânica e metalurgia de base e a empresa do ano 2009. Um feito de assinalar, pois a empresa está dependente do mercado da construção civil, que atravessa um período de recessão. Domingos Oliveira diz que o resultado se deve às práticas de gestão da Otis a nível mundial, sobretudo no que toca ao controlo de custos. A austeridade é um cunho desta multinacional e sente-se até no espaço físico da sede em Portugal. Domingos Oliveira diz que faz parte da cultura da empresa e que é "privilegiar as visitas dos colaboradores aos clientes" e não a destes ao local de trabalho. Além do controlo de custos, a produtividade e o conhecimento que têm dos produtos que comercializam, permitem-lhes "ganhar algum dinheiro servindo bem os seus clientes". A Otis não fabrica os elevadores, as escadas e os tapetes rolantes que comercializa em Portugal. Nem sequer monta os equipamentos que vende, procedendo apenas à sua instalação e prestando serviço aos clientes. A sua atividade atual está muito longe da que existia no início, há cerca de 50 anos, quando fabricava tudo em Portugal e "até o parafuso era cá torneado", salienta Domingos Oliveira. Mas há 15 anos que isso deixou de acontecer, porque a Otis tem unidades de produção espalhadas pelo mundo, especializadas na fabricação dos vários componentes dos elevadores. O mercado de escadas e tapetes rolantes é pouco significativo, pois apenas abrange aeroportos, estações da CP e do Metro e centros comerciais.

A vantagem do conhecimento

Os circuitos de comando, a inteligência do elevador, são produzidos na Alemanha. Em San Sebastian, no Norte de Espanha, existe uma fábrica que só faz motores, as unidades de tração dos ascensores. São cerca de 23 mil unidades por ano, número superior ao que é instalado na Península Ibérica, sendo o remanescente exportado. No entanto, a tecnologia da máquina, a forma de montar e manter cada elevador é comum, o que permite sinergias e um ganho de competitividade muito grande em todos os locais onde a empresa está ativa. Os vários componentes do elevador - a cabina, os botões, o comando para aceitar e selecionar as chamadas dos utentes e o motor - são desenvolvidos em obra, na fase de instalação. Domingos Oliveira diz que muito do sucesso que a empresa tem nesta fase se deve à experiência de 150 anos de atividade da companhia a nível mundial. Hoje, os elevadores instalados no mundo transportam, a cada 72 horas, o equivalente a toda a população do planeta. Já existiam quando o norte-americano Elisha Graves Otis inventou um travão de segurança, que suspende a cabina na caixa do elevador quando um cabo se parte. Em 1852, ele não ima¬ginava certamente o seu contributo para a paisagem urbana do mundo, que se elevou em altura, desde então, muitas dezenas e até centenas de metros. Torres de escritórios, apartamentos e alguns hotéis dificilmente existiriam sem elevadores seguros.

O império norte-americano

Hoje, há 2,3 milhões de elevadores, escadas e tapetes rolantes da Otis a operar todos os dias em mais de 200 países. A empresa tem cerca de 61 mil colaboradores, 611 dos quais em Portugal, e teve, em 2009, cerca de 8,4 mil milhões de euros de receitas, 80% das quais geradas fora dos Esta¬dos Unidos. A companhia pertence à United Technologies Corporation (UTC), grupo diversificado que inclui a multinacional de ar condicionado e aquecimento Carrier, para além da Hamilton Sundstrand, que se dedica a produzir sistemas aeroespaciais e produtos industriais, da Pratt & Whitney, fabricante de motores para aviões, dos helicópteros Sikorsky, da UTC Fire & Security, que faz os sistemas de segurança de edifícios e da UTC Power, que produz células de combustível. A Otis tem, em Portugal, quatro áreas de negócio. A primeira, a de instalação de novos equipamentos, consiste na venda e montagem de ascensores. Outra é a de serviço aos clientes, e inclui as áreas de manutenção, reparação e modernização. O mercado de novos equipamentos está atualmente em baixa. As vendas, que rondavam as 8 mil unidades por ano no final da última década, baixaram para valores entre 2500 e 3 mil por ano, valores similares a 2009, tomados com base em dados publicados para a construção civil em termos de licenças para habitação.

Inovações para segurança

O fator inovação tem sido, por isso, essencial para os resultados da empresa em Portugal. Nos elevadores costuma ser discreto, apesar de frequente. Na realidade, as inovações costumam incidir sobre aspetos que pouca ou nenhuma visibilidade têm para os utilizadores. A segurança, principal preocupação da indústria, não é sequer posta em causa habitualmente no decurso de uma viagem normal de elevador, o que não deixa de ser um bom sinal. Os utilizadores sentem quando o desempenho do equipamento se altera em termos de velocidade, conforto ou no aspeto estético. Hoje, há também preocupações com o consumo energético e o efeito da sua utilização no ambiente, tal como acontece com outros sectores económicos em termos mundiais. O abandono dos tradicionais cabos de aço como forma de garantir a suspensão da cabina foi uma das inovações mais marcantes da Otis. O recurso a cintas de aço revestido a poliuretano possibilitou uma revolução no desenho das máquinas de tração. São, agora, de dimensões incomparavelmente mais reduzidas, dispensando a casa das máquinas, caixas de engrenagens e consequente utilização de óleos de lubrificação de substituição periódica e nefastos para o ambiente. O método de montagem usado hoje dispensou uma série de ferramentas, poupando custos com o seu consumo, manutenção e desgaste, e aumentando a segurança dos colaboradores encarregues da instalação. Esta nova geração de elevadores representa, para o utilizador, a possibilidade de usufruir de um equipamento com melhores níveis de conforto, segurança e poupança energética, com um reduzido impacto ambiental e sem desperdício de área útil do edifício. Paralelamente, "assistimos à utilização de drives regenerativas que permitem extraordinárias poupanças de energia e que representam a escolha de eleição para os chamados edifícios 'verdes'", diz Domingos Oliveira.

Drives regenerativas

Nas tradicionais, a energia resultante da travagem do elevador é dissipada sob a forma de calor, havendo uma perda de eficiência e aumento do desperdício térmico do edifício. Isso não acontece com uma drive regenerativa, que injeta essa energia na instalação elétrica do edifício, que pode ser utilizada por outros elevadores e equipamentos ligados à mesma rede. "Algumas drives regenerativas são tão eficientes que permitem uma redução de cerca de 75% nas necessidades elétricas do edifício", salienta Domingos Oliveira. Para avaliar o serviço que presta, a empresa faz mensalmente 500 inquéritos de satisfação, que são enviados aleatoriamente para moradas dos cerca de 12 mil clientes e que têm uma taxa de resposta média de 17%. Este tipo de inquéritos também é usado no serviço de pós-venda de equipamentos. A missiva pede, para além de uma avaliação dos vários serviços, comentários e sugestões de melhoria que servem de base de trabalho para a empresa evoluir. (...)

Leia mais na edição especial da Exame 500 Maiores & Melhores 2010

 

As 500M&M avaliam a performance e o dinamismo das empresas e o seu contributo para a riqueza nacional.