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O lucro das empresas cotadas cresceu 26% em 2017

Gabriela Figueiredo Dias, presidente da CMVM

Alberto Frias

Apesar de terem saído duas empresas de bolsa em 2017, o ano foi positivo para a praça lisboeta. O PSI20 valorizou-se 15,2%, o lucro das empresas cotadas aumentou 26% e a dívida média recuou 11,3%. A CMVM sublinha que foi mais rentável investir em ações do que noutros instrumentos financeiros

Em 2017 foram negociados em ações 61,2 mil milhões de euros (mais 9% do que em 2016) e o principal índice do mercado de capitais português, o PSI 20, valorizou-se 15,2%, um ganho que ainda assim deixa este indicador abaixo dos valores registados antes da crise de 2008, lê-se no relatório anual da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). Só a título de exemplo, recorde-se que em 2004, o PSI 20 subiu 30%.

Apesar do crescimento de volume de ações transacionados na Bolsa de Lisboa, o valor ainda está 45% abaixo dos montantes transacionados em 2018, ano que marca o início da crise financeira.

"Usando estes índices como um ‘proxy’ para o investimento no mercado accionista, pode concluir-se que no último ano, em Portugal, a rentabilidade deste mercado teria sido mais compensadora (mas igualmente com mais risco) do que a de outras aplicações financeiras, como obrigações do Tesouro (OT) ou certificados de aforro", sublinha o regulador liderado por Gabriela Figueiredo Dias. A contribuir para esta conclusão está o facto de as ações darem dividendos.

"Catorze empresas distribuíram dividendos relativos aos resultados de 2017. Apesar de o montante de resultados distribuídos ter sido inferior ao do ano transato, o payout ratio das empresas com resultados líquidos positivos atingiu 53%, pelo que essa empresas distribuíram um pouco mais de metade dos respetivos lucros", diz o relatório.

Todavia se o investimento for a 10 anos e a comparação for com 2007 a CMVM tira outras conclusões. "Um investidor que se depara com a opção entre investir no mercado acionista em Portugal ou em dívida pública da República, e admitindo que este investidor é neutro face ao risco, a melhor opção teria sido uma obrigação de Tesouro para o período de 10 anos que termina no final de 2017: por cada euro investido, o investidor iria receber 1,68 euros em 2017, o que contrasta com o valor de 41 cêntimos se o mesmo investimento tivesse sido feito no cabaz de ações que replica o índice PSI 20".

Os resultados por ação registaram um aumento generalizado nas maiores cotadas portuguesas: 2,4% em 2017. Uma subida que acompanha a tendência da economia, cujo taxa de crescimento do PIB foi de 2,68%. Do PSI20 fazem parte as 20 maiores empresas cotadas, entre elas a EDP, a REN, a Sonae, a Navigator, o BCP, a Galp ou os CTT.

A CMVM salienta a realização de duas operações de aumento de capital, a do BCP, com um encaixe total de 1,332 mil milhões de euros, e da REN, cujo montante foi de 133 milhões de euros. A dívida privada emitida ascendeu a 15,967 mil milhões de euros em 2017, um aumento de 32% face ao ano anterior. Já emissão de dívida direta do Estado, através de obrigações do Tesouro fixou-.se nos 17,2 mil milhões de euros.

Em 2017, deixaram de estar cotadas em bolsa a Cimpor e a Sumol-Compal.