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Portugal vai pagar menos nos leilões de dívida desta quarta-feira

O Tesouro pretende colocar entre 750 a 1000 milhões de euros em obrigações de longo prazo, esta manhã, e deverá pagar taxas mais baixas do que no leilão a 10 anos em junho e na operação sindicada de abril de lançamento da linha que vence em 2034

Jorge Nascimento Rodrigues

Portugal regressa esta quarta-feira ao mercado obrigacionista para emitir dívida a 10 e 16 anos devendo pagar taxas mais baixas do que nas operações anteriores.

O Tesouro pretende colocar na operação de hoje entre 750 a 1000 milhões de euros em títulos com vencimento em 2018 e 2034. Um intervalo inferior aos 1000 a 1250 milhões de euros por leilão anunciados no programa para o terceiro trimestre.

A descida dos juros (yields) das Obrigações do Tesouro (OT) no mercado secundário, depois do impacto negativo do contágio italiano no final de maio, aponta para taxas nos leilões desta quarta-feira abaixo das registadas anteriormente.

Na linha a 10 anos, o Estado pagou 1,919% no leilão de 3 de junho, mas os juros no mercado secundário fecharam em 1,77% na terça-feira. Recorde-se, no entanto, que, no leilão de maio, Portugal conseguiu pagar 1,67%, a taxa mais baixa de sempre.

No prazo mais longo, o Tesouro pagou 2,325% na operação sindicada de 11 de abril quando lançou a nova linha de OT a vencer em 2034. Os juros da OT que vence em 2030, e que está em negociação no mercado secundário, estão perto de 2%.

Fatores favoráveis: risco italiano recuou e BCE prolongou compra de dívida

A tendência descendente nos juros no mercado secundário está a beneficiar do anúncio de extensão até final do ano do programa de compra de dívida pública no mercado secundário pelo Banco Central Europeu (BCE) e da garantia dada de prosseguimento dos reinvestimentos das amortizações dos títulos em carteira mesmo depois da descontinuação do programa a partir de janeiro do próximo ano. O BCE anunciou a extensão do programa por mais um trimestre na reunião de 14 de junho, onde também antecipou o seu encerramento para o final de dezembro.

O risco italiano regrediu, entretanto, em virtude do novo governo de coligação entre o Movimento 5 Estrelas e a Liga (ex-Liga Norte) ter retirado de cima da mesa a possibilidade de uma saída do euro, implicando uma redenominação da moeda, com regresso à lira, e de um eventual default parcial centrado na dívida (em euros) detida por credores oficiais.

Os resultados da operação que a Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) realiza esta quarta-feira deverão ser conhecidos após o leilão pelas 10h30.

Com esta operação, o IGCP deverá atingir, pelo menos, mais de 80% do plano financiamento em dívida obrigacionista para 2018 que aponta para €15 mil milhões. No primeiro semestre, o Tesouro realizou oito leilões de obrigações e duas operações sindicadas (de lançamento das novas linhas a vencer em 2028 e 2034), tendo colocado cerca de €12 mil milhões. Em 2017, o Estado colocou €15,1 mil milhões em obrigações a que acresceram €3 mil milhões em duas operações de troca de dívida.

IGCP duplica meta de emissão de OTRV

O IGCP anunciou na terça-feira a duplicação do valor da meta de colocação de uma linha de Obrigações do Tesouro de Rendimento Variável (OTRV, na sigla) com vencimento em julho de 2025, inicialmente com um objetivo de €500 milhões que passou, agora, para €1000 milhões. Cada ORTV tem um valor de €1000 e este tipo de emissão de dívida é dirigido ao público em geral.

A emissão arrancou a 4 de julho. As ordens de subscrição podem ser realizadas até às 15h de 17 de julho. No ano passado, o Tesouro emitiu €3,5 mil milhões em OTRV.