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CP: Novo concurso deve arrancar este ano, mas serão precisos dois anos para haver novos comboios

António Pedro Ferreira

Governo reconhece que o desinvestimento dos últimos anos no transporte ferroviário deteriorou o serviço, e diz que está a preparar um concurso público internacional. Prevê-se que o concurso ainda arranque este ano, e depois é preciso esperar mais dois anos para que haja novos comboios na CP

A situação da CP, neste momento, é tão crítica, notícia o Público desta quarta-feira, que a empresa de transportes viu-se obrigada, em agosto, a reformular a oferta de transportes (e de horários), o que passará por uma redução da oferta, com menos comboios em praticamente todas as linhas e serviços. Em alguns casos serão substituídos por autocarros; noutros por comboios de categoria inferior.

"Neste momento, o Governo e a CP estão a trabalhar no lançamento de um concurso internacional para aquisição de material circulante, tal como está previsto no Orçamento do Estado", diz fonte oficial do gabinete do Ministério do Planeamento e Infraestruturas. Recusa-se porém a fazer mais comentários sobre este assunto.

Mas o Expresso sabe que a expectativa é que o concurso seja lançado ainda este ano. O tema está em cima da mesa desde 2017, mas o concurso só poderá avançar com a "luz verde" das Finanças, já que no futuro implicará despesa na aquisição de material circulante. Depois de concluído o concurso demorará tempo até chegar a nova frota, o prazo não será inferior a dois anos.

"Os problemas que se registam no transporte ferroviário são consequência da falta de investimento das últimas décadas neste meio de transporte. Nos últimos anos foram encerradas linhas, deixaram-se degradar as existentes, não houve qualquer plano de aquisição de comboios. Registou-se ainda um forte desinvestimento na área da manutenção, tendo como objetivo a sua privatização", sublinha o gabinete de Pedro Marques. E sublinha: "O Governo, a CP e a IP estão a trabalhar para inverter o ciclo de desinvestimento na ferrovia, que é do conhecimento geral".

A ferrovia, assegura a mesma fonte "é uma prioridade para este Governo, que, logo após tomar posse, lançou o Plano Ferrovia 2020, que contempla um investimento de 2 mil milhões de euros na rede ferroviária", explica a mesma fonte. E acrescenta: "Esse plano está em curso, com obras em todos os principais eixos ferroviários".

O Ministério diz ainda que tem sido proativo no encontro de uma solução. "Numa das áreas mais críticas, a manutenção dos comboios, o Govermo travou o plano de privatização da empresa EMEF, e lançou um programa de reestruturação.Entre dezembro de 2015 e agosto de 2017, foi autorizado o recrutamento de mais 124 trabalhadores. Já este ano foi autorizada a a entrada de mais 50".

O Pública frisa que os problemas são vários. A CP tem falta de material circulante e as oficinas da empresa não têm pessoal para manter e reparar os comboios, que estão velhos e sujeitos a rotações cada vez maiores, escreve o matutino. Esta situação tenderá a agravar-se nos próximos meses com o período de férias na EMEF (as oficinas da CP) e um aumento na procura por parte dos passageiros.

A anterior administração da CP, liderada por Manuel Queiró, tinha entregue ao Governo um estudo, em fevereiro de 2017, onde era referido que era "imprescindível"o investimento na aquisição de 35 automotoras para dotar a empresa dos meios necessários à realização de um serviço moderno e de qualidade.