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Bolsas finalmente assustam-se com escalada na guerra comercial

Uma maré vermelha inundou esta quarta-feira as bolsas da Ásia e Europa e chegou a Nova Iorque. EUA anunciaram a possibilidade de nova vaga de taxas aduaneiras sobre 200 mil milhões de dólares de importações da China

Jorge Nascimento Rodrigues

O temor em relação a uma escalada no verão da guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo chegou, finalmente, às bolsas esta quarta-feira.

As quatro principais praças asiáticas - Tóquio, Xangai, Hong Kong e Shenzhen - fecharam com perdas acima de 1% e na Zona Euro as principais bolsas estão a cair também mais de 1%. Os índices Eurostoxx 50 (das cinquenta principais cotadas da zona euro) e o similar para as 600 principais cotadas europeias perdem 1,3%. Escapa Lisboa com uma descida de 0,5% do índice PSI 20. Nova Iorque acaba de abrir em queda com os três principais índices a descerem mais de 0,5%. O índice de pânico financeiro associado ao S&P 500 de Wall Street subiu 9,6%.

Por detrás desta maré vermelha está o anúncio dos Estados Unidos avançarem em setembro com uma terceira fase de imposição de taxas aduaneiras a produtos importados da China abrangendo 200 mil milhões de dólares (€170 mil milhões), o que significaria uma escalada substancial na guerra comercial com a segunda maior economia do mundo. O presidente Trump já colocou inclusive a hipótese de taxar praticamente todas as importações da China que rondam os 500 mil milhões de dólares (€426 mil milhões).

Parece que, finalmente, os investidores estão a levar a sério o aviso do Prémio Nobel Paul Krugman que, no início de julho, alertava para o facto de que "a maioria das empresas, ou a maioria dos investidores nos mercados financeiros, não está a levar suficientemente a sério a ameaça da guerra comercial". Na sua coluna no The New York Times, o economista norte-americano referia que os mercados estavam a encarar as escaramuças na frente do comércio internacional "como se fossem uma fase passageira, como se os adultos entrassem e parassem com essa espiral descendente antes que ela fosse longe demais".

Três fases na guerra comercial entre EUA e China

O processo de imposição de taxas aos produtos chineses importados iniciou-se a 6 de julho com a aplicação de 25% sobre um primeiro lote de 34 mil milhões de dólares (€29 mil milhões), a que Pequim respondeu com a aplicação de taxas sobre 545 linhas de produtos de importações dos EUA no mesmo valor. A segunda fase da vaga protecionista norte-americana poderá ocorrer na última semana de julho com a extensão das taxas a mais 16 mil milhões de dólares de importações (€14 mil milhões). Se se concretizar a terceira fase em setembro, os EUA terão aplicado taxas sobre 250 mil milhões de dólares (€213 mil milhões) de importações Made in China.

O portal financeiro chinês Caixin estima que as medidas dos EUA poderão reduzir o crescimento anual do PIB da segunda maior economia do mundo em 0,3 a 0,5 pontos percentuais. Aguardam-se na próxima segunda-feira as revisões em baixa que o Fundo Monetário Internacional possa anunciar no crescimento mundial em virtude do início de uma guerra comercial global.

O cenário geopolítico poderá agravar-se, também, na sequência da reunião da NATO que se iniciou esta quarta-feira em Bruxelas e da cimeira em Helsínquia entre Trump e Putin a 16 de julho. Ainda antes do início da cimeira da NATO, o presidente norte-americano, num pequeno almoço com o secretário-geral da organização, acusou a Alemanha de "estar totalmente controlada pela Rússia" em virtude do fornecimento de gás russo. Na realidade, apenas 40% do gás natural na Alemanha provém da Rússia, o que representa um peso de apenas 9% em termos do sector energético germânico.

Preços das matérias-primas em queda

Também o mercado das commodities está em choque esta quarta-feira com a antevisão da escalada na guerra comercial e de mais turbulência no cena geopolítica.

Os preços dos principias metais industriais estão a cair entre 2 e 3%. O preço do cobre cai 3% e lidera as descidas. O preço do barril de petróleo de Brent desceu para perto de 74 dólares, registando uma queda de mais de 2%.