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Hospital de São João tem melhor desempenho do que Santa Maria

Rui Duarte Silva

Centro Hospitalar de São João gasta menos e presta mais cuidados de saúde do que o Centro Hospitalar Lisboa Norte, conclui uma auditoria do Tribunal de Contas

O Centro Hospitalar de São João tem um melhor desempenho do que o Centro Hospitalar Lisboa Norte, conclui uma auditoria do Tribunal de Contas (TC), que analisa o triénio 2014 a 2016.

“Sem prejuízo das especificidades e do contexto regional de cada centro hospitalar, o desempenho do Centro Hospitalar de São João é mais favorável na generalidade dos indicadores analisados”, diz o relatório.

O TC saliente, em particular, “as diferenças nos custos por doente padrão e na eficiência operacional da atividade”. “O Centro Hospitalar de São João apresenta custos operacionais inferiores (menos 211 milhões de euros, ajustados por doente padrão, entre 2014 e 2016), e consegue produzir mais cuidados de saúde com as instalações e equipamentos de que dispõe (por exemplo, mais 65% ressonâncias magnéticas e mais 74% tomografias axiais computorizadas, por equipamento, por dia”, descreve o Tribunal.

Por outro lado, os utentes do Centro Hospitalar de São João – que resulta da integração do Hospital de São João e do Hospital de Nossa Senhora da Conceição - esperaram, em média, menos tempo por consultas (menos oito dias) e pela realização de cirurgias (menos 28 dias). O desempenho do Centro Hospitalar Lisboa Norte – que agrega o Hospital de Santa Maria e o Hospital Pulido Valente - foi superior no que respeita ao cumprimento dos tempos de espera do serviço de urgência geral (29% versus 37% de incumprimento), mas os utentes atendidos apresentavam um menor nível de urgência face ao que se registou no Centro Hospitalar de São João (31% de pouco ou não urgentes neste centro hospitalar, contra 50% em Lisboa Norte).

São João tem melhor controlo dos gastos

Além disso, a auditoria destaca que “os sistemas de informação de gestão existentes no Centro Hospitalar de São João permitem um conhecimento mais rigoroso e ao momento dos custos operacionais e de estrutura, um conhecimento mais preciso das necessidades de financiamento e uma tomada de decisão mais oportuna e fundamentada”.

O Centro Hospitalar Lisboa Norte recebeu do Estado, entre 2014 e 2016, mais 213 milhões de euros do que o Centro Hospitalar de São João. Mais esse dinheiro não se traduziu em mais e melhores cuidados de saúde prestados à população. “Do financiamento atribuído ao Centro Hospitalar Lisboa Norte, nesse período, parte substancial (221 milhões de euros, ou seja, 19%) não teve contrapartida em cuidados de saúde prestados, servindo para financiar as ineficiências relativas do centro hospitalar na produção de cuidados de saúde, face à média, e a fazer face ao contínuo crescimento das dívidas a fornecedores”.

Aliás, as dívidas aos fornecedores são um problema crónico que compromete a atividade dos hospitais públicos. “Entre dezembro de 2016 e novembro de 2017, a dívida do Centro Hospitalar Lisboa Norte cresceu ao ritmo de quase 7 milhões de euros por mês, superior ao verificado em qualquer outro período similar, desde 2014, denotando que os esforços para a recuperação económico-financeira do centro hospitalar, através de financiamento extraordinário, não estão a obter os resultados esperados”, revela o TC.

Financiamento de acordo com os custos reais

Em linha com o que tem vindo a ser pedido pelos administradores hospitalares, o Tribunal recomenda aos ministros da Saúde e das Finanças que “o financiamento atribuído às unidades hospitalares seja adequado às necessidades efetivas da população, que sejam dadas orientações para a replicação das melhores práticas identificadas e para que se proceda à contenção das práticas reiteradas de financiamento da atividade do SNS através da acumulação de dívida a fornecedores”.

De acordo com dados de 2016, o Centro Hospitalar Lisboa Norte presta cuidados a 300.453 habitantes, enquanto a área de influência direta do São João seja uma população de 330 379 indivíduos. O financiamento do São João ficou nos 319 milhões de euros, contra custos operacionais de 337 milhões de euros. O Centro Hospitalar Lisboa Norte recebeu 375 milhões de euros, embora o seu funcionamento tenha custado mais 20 milhões de euros.