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Gigantes do planeamento fiscal ganham milhões em assessoria à Comissão Europeia

JOHN THYS/ AFP/ Getty Images

Serviços da Comissão têm vindo a contratar para estudos e assessoria fiscal as quatro multinacionais mais destacadas do mundo no aconselhamento de empresas em matéria de impostos

As quatro maiores empresas de auditoria do mundo, que também alavancam uma parte do seu negócio no desenvolvimento de soluções de otimização fiscal no sector privado, ganharam em 2016 contratos de oito milhões de euros da Direção-Geral de Fiscalidade e União Aduaneira da Comissão Europeia, revela esta terça-feira o “Financial Times”.

Além daqueles contratos para a Deloitte, KPMG, EY e PwC, já em janeiro deste ano três daquelas empresas (também conhecidas como “big four”), nomeadamente a PwC, Deloitte e KPMG, auferiram 10,5 milhões de euros para realizarem estudos sobre várias questões fiscais e aduaneiras, de acordo com o Corporate Europe Observatory, com sede em Bruxelas.

Já em 2014, outros sete milhões de euros tinham sido adjudicados pela Direção-Geral de Fiscalidade à PwC, Deloitte e EY para estudos e análises comparativas de várias jurisdições fiscais europeias.

O “Financial Times” enfatiza, na sua edição desta terça-feira, a questão dos conflitos de interesse, pelo facto de as mesmas multinacionais que habitualmente prestam aconselhamento fiscal a diversas empresas (muitas delas identificadas em investigações como o Lux Leaks, os Panama Papers e os Paradise Leaks) estarem também a ser remuneradas por Bruxelas para assessoria no mesmo tema.

“Quem fica a fazer figura de parvo é a Comissão Europeia. Deviam fazer melhor do que convidar as raposas para conhecer as medidas de segurança do galinheiro”, comentou, citado pelo jornal britânico, o professor Karthik Ramanna, da Universidade de Oxford.