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Consumo de energia no mundo cresce 2,2% em 2017

Pedro Santos Guerreiro moderou o debate sobre transição energética que contou com Maria João Coelho, Peter Mather, António Sá Costa e Anne-Sophie Corbeau

Ana Brigida

Esta é uma das conclusões do BP Statistical Review of World Energy 2018 que foi apresentado esta manhã em Lisboa numa conferência organizada em parceria com o Expresso

Ana Baptista

Ana Baptista

Jornalista

O consumo de energia no mundo cresceu 2,2% no ano passado, o maior crescimento desde 2013, revela o BP Statistical Review of World Energy 2018. O estudo anual realizado pela petrolífera a nível internacional foi apresentado esta manhã, em Lisboa, numa conferência realizada em parceria com o Expresso.

De acordo com a responsável da área de gás natural da empresa, Anne-Sophie Corbeu, que apresentou as principais conclusões deste estudo, este crescimento deve-se ao aumento do consumo registado na China e na Índia, mas no geral as razões que explicam este panorama foi a melhoria da economia a nível global e o aumento da produção nas fábricas, ou seja, atividades altamente consumidoras de energia.

De acordo com o estudo, a fonte de energia cujo consumo mais cresceu em 2017 foi o gás natural, mais 3% face a 2016. Mas o petróleo também continuou a crescer, mais precisamente 1,8% e, desta vez, acima da média anual de 1,2% que cresceu nos últimos dez anos.

E, o ano passado, aumentou também o consumo de carvão, cerca de 1%, o que é um recuo em relação ao trabalho de transição energética e de descarbonização que tem estado a ser feito no mundo, repara Anne-Sophie Corbeu.

Aliás, por causa do aumento do consumo de petróleo e de carvão, subiram também as emissões de CO2, outro recuo na descarbonização.

De facto, segundo o presidente da Associação Portuguesa de Energias Renováveis (APREN), António Sá da Costa, "a descarbonização é muito importante", mas o ritmo a que vai ser feita depende de muitos factores que mudam de país para país, e depende muito "dos custos", mas também da aceitação das pessoas de que é preciso fazer essa descarbonização,

É por isso que a vice presidente da Agência para a Energia (ADENE), Maria João Coelho, também presente no debate na conferência, diz ter dúvidas sobre se estamos mesmo em transição no mundo. Isto porque, em Portugal, tem estado a ser feito um bom trabalho nesse sentido.

BP aposta no gás natural e menos no petróleo

Para a BP, para se atingir as metas de descarbonização definidas no mundo, é preciso muito mais do que apenas a aposta nas renováveis. De acordo com o vice presidente da petrolífera para a região da Europa, Peter Mather, se o consumo de gás natural aumentar em substituição do consumo de carvão, então isso também ajudará a reduzir as emissões.

É, por isso, que a BP decidiu investir mais na exploração de gás natural do que na de petróleo, mais precisamente, 60% no gás e 40% no petróleo.

“Não vamos desistir do negócio do petróleo mas vamos apostar mais no gás”, disse Peter Mather na conferência.

Mas as renováveis também são importantes para a BP que pretende investir 500 milhões de dólares em fontes de energia mais limpas como o solar ou o biofuel e em países onde essas energias são fortes, como or exemplo o biofuel no Brasil.