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Investimento das empresas cresce 7,3% em 2017

Para este ano, o INE prevê uma desaceleração do investimento das empresas devido a piores perspetivas nos sectores do comércio por grosso e a retalho, na reparação de veículos automóveis e motociclos e nas atividades de media

O investimento empresarial cresceu 7,3% em 2017, face ao ano anterior, revela o Instituto Nacional de Estatística (INE), numa revisão em alta face ao resultado apurado em Outubro (5,5%).

O mais recente Inquérito de Conjuntura ao Investimento, que inquiriu os empresários entre abril e junho de 2018, revela ainda que este indicador deverá aumentar 5,1% este ano.

A desaceleração (2,2 pontos percentuais) prevista da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) empresarial entre 2017 e 2018 está associada sobretudo às secções de comércio por grosso e a retalho, reparação de veículos automóveis e motociclos e das atividades de informação e de comunicação (-3,0 p.p. e -1,8 p.p., respetivamente).

Os principais contributos para o desempenho da FBCF em 2017 vieram das indústrias transformadoras e de comércio por grosso e a retalho e da reparação de veículos automóveis e motociclos que registaram os contributos positivos mais acentuados (3,2 p.p. no primeiro caso e 2,2 p.p. no segundo caso), “em resultado de crescimentos de 10,8% e 15,9% [da FBCF), respetivamente”.

Já a secção de eletricidade, gás, vapor, água quente e fria e ar frio “destacou-se por apresentar o contributo negativo mais acentuado para a variação do investimento em 2017 (contributo de -1,4 p.p. e decréscimo de -16,8% do investimento”.

Olhando para a previsão de crescimento de 5,1 do investimento empresarial em 2018, o INE indica que será feito a reboque dos sectores dos transportes e armazenagem (contributo de 2 p.p. e variação de 30,9%) e da indústria transformadora (contributo de 1,5 p.p. e variação de 4,7%).

A FBCF é um indicador muito relevante porque revela se a capacidade de produção do país está a crescer e mostra se os empresários estão confiantes.

Mais capacidade de produção

Em 2017 e 2018, o investimento no aumento da capacidade de produção foi o principal objetivo do investimento (com um peso de 39,4% na média dos dois anos), seguindo-se o investimento de substituição (37,2%). Os objetivos de outros investimentos e de racionalização e reestruturação

representaram, respetivamente, 14,2% e 9,1% do total do investimento empresarial na média dos dois anos.

O autofinanciamento “continua a ser a principal fonte de financiamento para o investimento das empresas inquiridas, representando 65,8% e 64,3% do total em 2017 e 2018, respetivamente. Na média dos dois anos, esta fonte de financiamento assume particular relevância nas secções de atividades de informação e de comunicação (96,4%), de atividades de consultoria, científicas, técnicas e similares (82,3%) e de eletricidade, gás, vapor, água quente e fria e ar frio (81,9%)”, menciona o inquérito do INE.

Para a maioria das empresas, o principal fator que inibe o investimento continua a ser a deterioração das perspetivas de vendas (25,6% e 25,4% em 2017 e 2018, respetivamente), seguindo-se a insuficiência da capacidade de autofinanciamento (20,9% e 21,2%).

Boas perspetivas na criação de emprego

No que toca às expectativas de criação de emprego resultante do investimento realizado ou a realizar, a maioria dos sectores “apresentou saldos de respostas extremas positivos. Considerando a média dos dois anos analisados, salientam-se as secções de atividades de informação e de comunicação (29,4%), de indústrias extrativas (25,7%) e de transportes e armazenagem (21,1%) com as médias mais elevadas para os respetivos saldos”.

Em sentido contrário, com respostas negativas surgem os sectores financeiro e de seguros, e das atividades relacionadas com fabrico de energia.